Relação entre manifestações dolorosas e o uso da hidroxiuréia em crianças e adolescentes com doença falciforme
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v9i10.9046Palavras-chave:
Dor; Doença falciforme; Criança; Adolescente.Resumo
Analisar o perfil da dor, os seus fatores desencadeantes e a sua relação com o uso da hidroxiuréia em crianças e adolescentes com a doença falciforme. Trata-se de um estudo transversal analítico realizado com 80 pacientes com doença falciforme, de ambos os sexos, na faixa etária de 6 a 18 anos, atendidos no Centro de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco, Brasil. Para avaliação do perfil da dor foram utilizados formulários que possuíam a escala visual adaptada de Fear of Dental Pain Questionnaire-Short Form. Foi utilizado o teste Exato de Fisher, para avaliar a associação entre o relato de dor e o uso da hidroxiuréia. Verificou-se que 68,7% dos pacientes relataram dor e destes 52,7% de intensidade forte com repercussões na sua rotina diária. Em relação aos fatores desencadeantes, os físicos apresentaram maior percentual (78,2%). Os locais mais comuns de relato de dor foram o tronco (80%) e os membros inferiores (54,5%); os tipos de dores mais frequentes foram em forma de aperto (40%) e profunda (40%). Trinta por cento dos pacientes faziam uso da hidroxiuréia como medicamento para prevenção das crises dolorosas. Conclui-se que pacientes com doença falciforme apresentaram percentual elevado de crises dolorosas e os fatores físicos, como temperatura fria, trauma e esforço, foram considerados os mais prevalentes pelo seu desencadeamento. Não houve associação entre o uso da hidroxiuréia e melhora da dor.
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