Perfil epidemiológico das notificações de sífilis gestacional e congênita em Alagoas (2018-2024)
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.49969Palavras-chave:
Sífilis, Gestantes, Sífilis congênita, Epidemiologia.Resumo
O presente estudo analisou o perfil epidemiológico das notificações de sífilis gestacional e congênita no estado de Alagoas entre os anos de 2018 e 2024. Dados secundários foram obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS) e analisados de forma descritiva, com cálculo de frequências absolutas e variações percentuais. Em 2018, foram registrados 953 casos de sífilis gestacional e 450 de sífilis congênita, enquanto em 2024 os números diminuíram para 483 e 213 casos, respectivamente, representando reduções de 49,3% e 52,7%. Apesar dessa queda, os valores permanecem acima da meta da Organização Mundial da Saúde para eliminação da sífilis congênita, que prevê menos de 0,5 casos por mil nascidos vivos. A redução observada pode refletir avanços em testagem rápida, capacitação profissional e tratamento do parceiro sexual, mas fatores socioeconômicos e impactos de crises sanitárias, como a pandemia de COVID-19, podem ter limitado o alcance dos resultados. Os achados reforçam a necessidade de manutenção e fortalecimento das políticas públicas, do acompanhamento pré-natal, do rastreamento precoce e da educação em saúde, visando à eliminação da sífilis congênita em Alagoas.
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