Análise do padrão de vascularização cerebral na idade decídua e levantamento de suas variações anatômicas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50135Palavras-chave:
Cérebro, Criança, Artérias Cerebrais, Veias Cerebrais, Variação Anatômica.Resumo
O desenvolvimento do sistema vascular encefálico é um processo complexo, marcado por anastomoses e remodelamentos que resultam em grande diversidade de padrões anatômicos. Tais variações, embora frequentemente assintomáticas, podem ter implicações clínicas relevantes, especialmente no contexto de doenças cerebrovasculares e de procedimentos neurocirúrgicos e endovasculares. O objetivo deste estudo foi analisar o padrão morfológico da irrigação arterial e da drenagem venosa encefálica, relatando as variações anatômicas mais frequentes na idade decídua. Para tanto, foi desenvolvida uma revisão sistematizada e integrativa da literatura, realizada em bases eletrônicas, nacionais e internacionais, complementada por busca em cadeia. Os dados obtidos foram organizados em quadros comparativos que sintetizam variações relatadas em artérias (carótida interna, cerebral anterior, comunicante anterior, cerebral média, cerebral posterior e comunicante posterior) e veias (anastomóticas inferiores, cerebral basilar e cerebral média). Entre os achados mais relevantes, destacaram-se a presença de variantes como artéria cerebral anterior ázigo ou bi-hemisférica, artéria cerebral média duplicada ou fenestrada, artéria comunicante anterior ausente ou duplicada, e artéria cerebral posterior fetal. No sistema venoso, as principais variações envolveram a veia cerebral média e as veias anastomóticas inferiores, sobretudo quanto ao trajeto e duplicações. Portanto, o conhecimento detalhado das variações anatômicas vasculares do encéfalo é fundamental para a prática clínica e radiológica. O reconhecimento dessas variantes permite evitar diagnósticos equivocados, prevenir iatrogenias e aprimorar o planejamento de intervenções neurocirúrgicas e endovasculares, contribuindo diretamente para melhores desfechos clínicos em doenças cerebrovasculares.
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