Manejo do paciente com suspeita de morte encefálica em Unidade de Terapia Intensiva
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50224Palavras-chave:
Morte Encefálica, Cuidados de Enfermagem, Unidade de Terapia Intensiva, Doação de Órgãos, Protocolos.Resumo
O manejo do paciente com suspeita ou diagnóstico de Morte Encefálica (ME) em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) representa um cenário de complexidade técnica, ética e emocional para a equipe de enfermagem. O objetivo deste estudo foi sintetizar as evidências científicas que abordam os desafios enfrentados pela equipe de enfermagem no manejo de pacientes com suspeita de morte encefálica na unidade de terapia intensiva. Trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura Científica, com busca nas bases de dados SciELO, BVS, Google Acadêmico, Lilacs e PubMed, abrangendo publicações em português de 2018 a 2025. Os descritores utilizados foram "morte encefálica," "cuidados de enfermagem," e "unidade de terapia intensiva". Os resultados revelam que o enfermeiro desempenha um papel central e dual: ele deve garantir o rigoroso controle hemodinâmico, hídrico e de temperatura para a manutenção da viabilidade dos órgãos (potencial doador). Paralelamente, os maiores desafios residem na esfera humana, envolvendo a sobrecarga emocional, a dificuldade de lidar com a dicotomia vida-morte e a comunicação assertiva com a família. Conclui-se que a qualificação do cuidado requer o investimento em educação continuada para aprimorar tanto o domínio técnico-científico do protocolo de manutenção quanto o desenvolvimento de habilidades de comunicação interpessoal e suporte familiar, visando garantir a dignidade do paciente e otimizar o processo de doação de órgãos.
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