Agentes anestésicos inalatórios em pequenos animais: Eficácia, segurança e desafios no uso de isoflurano, sevoflurano e desflurano
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50254Palavras-chave:
Anestesiologia veterinária, Sustentabilidade ambiental, Segurança anestésica, Bem-estar animal, Estresse oxidativo.Resumo
A anestesia inalatória é central na rotina cirúrgica de pequenos animais, permitindo controle preciso da profundidade anestésica e recuperação previsível. Entre os agentes voláteis mais utilizados destacam-se isoflurano, sevoflurano e desflurano, cujos perfis farmacológicos, clínicos, econômicos e ambientais orientam sua escolha. O objetivo deste trabalho é analisar o uso desses anestésicos na prática veterinária, descrevendo características farmacológicas, comparando eficiência clínica (indução, manutenção e recuperação), avaliando segurança (bem-estar e riscos perioperatórios) e discutindo desafios/avanços, com identificação de lacunas para pesquisa. Foi realizado uma revisão narrativa nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, com inclusão de estudos em português e inglês que abordam eficácia, segurança, custo e aspectos ambientais em cães e gatos; extração padronizada e análise descritivo-comparativa dos achados. Nos resultados o sevoflurano apresenta indução e recuperação geralmente mais rápidas e bom perfil cardiorrespiratório, favorecendo pacientes pediátricos, geriátricos ou clinicamente instáveis; o isoflurano mantém amplo uso por menor custo, embora com indução/recuperação mais lentas e maior propensão à hipotensão em cenários prolongados ou críticos; o desflurano oferece despertar muito rápido, mas pode irritar vias aéreas e requer maior investimento (agente e vaporizador), restringindo sua difusão. Em sustentabilidade, todos contribuem para emissões; o desflurano tem maior impacto climático, e iso/sevo impacto menor, porém relevante. Conclui-se que não há agente universalmente superior; a escolha deve ser contextual e pautada por segurança, custo-efetividade e mitigação ambiental. Protocolos institucionais, monitorização rigorosa e estudos multicêntricos são recomendados para qualificar a decisão anestésica em pequenos animais.
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