Ergonomia na enfermagem: Estratégias de prevenção de doenças ocupacionais e promoção da saúde do trabalhador
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50316Palavras-chave:
Ergonomia, Enfermagem, Doenças ocupacionais, Transtornos musculoesqueléticos, Segurança do paciente, Saúde do trabalhador.Resumo
A ergonomia na enfermagem constitui um eixo fundamental para a promoção da saúde ocupacional e para a redução de agravos físicos, cognitivos e organizacionais que impactam o desempenho profissional e a segurança do paciente. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências disponíveis sobre riscos ergonômicos, agravos associados e estratégias preventivas voltadas aos profissionais de enfermagem em ambientes de saúde. Trata-se de uma revisão narrativa de natureza qualitativa e quantitativa, conduzida entre agosto e novembro de 2025, fundamentada em descritores DeCS/MeSH combinados com operadores booleanos e organizada segundo etapas adaptadas do PRISMA 2020. Foram consultadas as bases SciELO, PubMed e Google Scholar, além de diretrizes internacionais e normativas brasileiras, resultando em 40 documentos incluídos na síntese final. Os resultados evidenciaram alta prevalência de distúrbios osteomusculares, fadiga física e mental, estresse ocupacional e burnout, fortemente associados a manuseio de cargas, posturas forçadas, demandas cognitivas elevadas, jornadas extensas e falhas organizacionais. As estratégias mais eficazes identificadas incluem programas de safe patient handling and mobility (SPHM), políticas “no-lift”, tecnologias de auxílio à mobilização, ergonomia participativa, adequação do ambiente de trabalho e educação permanente. Conclui-se que a integração dessas medidas com as normas NR-17 e NR-32 é essencial para ambientes mais seguros, saudáveis e sustentáveis, contribuindo para a valorização da equipe de enfermagem e fortalecimento da qualidade assistencial.
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