Uso de psicofármacos entre acadêmicos de Medicina: Uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50363Palavras-chave:
Estudantes de Medicina, Psicotrópicos, Saúde Mental.Resumo
Objetivo: Investigar as motivações relacionadas ao uso de psicofármacos entre estudantes de medicina. Método: Realizou-se uma revisão integrativa nas bases PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores students, medical AND psychotropic drugs. Foram incluídos artigos originais, disponíveis gratuitamente e publicados nos últimos dez anos. A busca resultou em 122 publicações, sendo 82 na PubMed e 40 na BVS. Após triagem por título e resumo, 45 artigos foram selecionados, dos quais 12 atenderam aos critérios após leitura na íntegra. Resultados: As motivações para o uso de psicofármacos foram agrupadas em duas categorias principais: prescrição médica e automedicação. Entre as indicações médicas, destacaram-se transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, insônia, ansiedade e depressão, sendo estes dois últimos mais prevalentes em mulheres e em estudantes dos últimos anos do curso. Quanto à automedicação, o alívio do estresse, a sobrecarga acadêmica e a busca por melhor desempenho cognitivo foram os fatores mais descritos. A prevalência de automedicação entre estudantes de medicina mostrou-se superior à de outros cursos da saúde, especialmente entre aqueles que trabalham ou residem longe da família. As classes farmacológicas mais utilizadas foram antidepressivos, benzodiazepínicos e hipnóticos, sendo fluoxetina, zolpidem, trazodona e sertralina os medicamentos de maior frequência. A maior parte dos estudantes relatou acompanhamento regular por médicos generalistas ou psiquiatras. Conclusão: O uso de psicofármacos entre acadêmicos de medicina está associado principalmente ao tratamento de sintomas psiquiátricos, ao manejo do estresse e à busca de melhor desempenho acadêmico.
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