Luto antecipatório de familiares e pacientes sob cuidados paliativos: Uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50383Palavras-chave:
Luto, Luto antecipatório, Luto antecipado, Cuidados paliativos.Resumo
Este trabalho se propõe a refletir sobre o Luto Antecipatório (LA) vivenciado por familiares e pacientes em situações de doenças terminais. Foi realizada uma revisão integrativa. Para a pesquisa bibliográfica, foi realizado um levantamento em três bases de dados, sendo elas PubMed, LILACS e SciELO. Os descritores utilizados foram padronizados a partir do site DeCS. Dentre os critérios de inclusão encontra-se a disponibilidade do texto completo nas línguas portuguesa, inglesa ou espanhola, que fosse publicado no intervalo de tempo de 2020 a 2025. Foram excluídos artigos não disponíveis na íntegra, assim como em outra língua além das supracitadas ou que foram publicados anteriormente ao ano de 2020. Quatro artigos contemplaram os critérios propostos. Pode-se considerar que o LA se distingue do luto pós-morte por envolver respostas emocionais, cognitivas e comportamentais à proximidade da perda prevista, manifestando-se como uma perda ambígua. A vivência do LA por cuidadores familiares carrega uma dicotomia, podendo ser fonte de sobrecarga, mas também podendo ser visto como um momento de aprendizado e partilha. Há indícios de que o LA dos familiares muitas vezes não é abordado pelas equipes de saúde, sugerindo uma invisibilidade do sofrimento. Desta forma, conclui-se que o LA é um fenômeno complexo, sendo uma reação psicológica que se inicia antes da morte real em situações de finitude iminente, como doenças terminais e demências. Por gerar grande sofrimento, o LA é considerado clinicamente relevante, sendo um forte preditor de luto complicado após a morte efetiva, exigindo intervenção psicológica especializada para seu manejo.
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