Programação perinatal e risco de doenças crônicas: Impactos metabólicos, cardiovasculares, renais e neuroimunes na vida adulta
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50516Palavras-chave:
Assistência perinatal, Doença crônica, Nefropatias.Resumo
O período perinatal compreende da concepção até o sétimo dia depois do parto, sendo período de formação fetal, cujas influências podem repercutir na vida pós-parto. Fase biologicamente crítica, na qual mecanismos adaptativos mediados por processos epigenéticos, metabólicos, hormonais e inflamatórios moldam de forma duradoura a funcionalidade dos sistemas orgânicos. Perturbações nesse intervalo, incluindo prematuridade, retardo no crescimento intrauterino (RCIU), disfunções metabólicas maternas, alterações na microbiota e exposições ambientais podem exercer impacto na maturação renal, cardiovascular, pulmonar, neuroendócrina e imunometabólica, com risco para o desenvolvimento de doenças crônicas ao longo da vida, como a Diabetes Mellitus (DM), Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e a Doença Renal Crônica (DRC). Este estudo teve como objetivo descrever as influências mais impactantes na gestação e pós-natal inicial e as consequências na vida adulta. Realizou-se uma revisão integrativa, com artigos entre 2020 a 2025, na base de dados Pubmed, da língua inglesa, com as palavras chaves: Perinatal Care, Chronic Disease e Chronic Kidney Disease. Destaque para os mecanismos biológicos subjacentes à programação fetal adversa, com ênfase nas interfaces entre metabolismo, hemodinâmica, inflamação e sinalização celular. Os resultados reforçam que o ambiente perinatal atua como determinante fundamental da saúde adulta, evidenciando a necessidade de estratégias preventivas e medidas direcionadas à proteção metabólica e ambiental da gestante e recém-nascido. A prematuridade, RCUI, baixo peso ao nascer, obesidade e DM maternas são os principais agentes que impactam o ambiente perinatal e ampliam risco para doenças crônicas, principalmente DM, HAS, DRC e obesidade.
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