Impacto da obesidade na saúde física e mental em adolescentes: Estratégias de prevenção
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50604Palavras-chave:
Nutrição na Adolescência, Política de Saúde, Sobrepeso.Resumo
A obesidade na adolescência configura-se como um importante problema de saúde pública, em virtude de sua elevada prevalência e de suas repercussões clínicas, psicossociais e econômicas ao longo do curso da vida. Diante disso, esse estudo teve como objetivo analisar a obesidade juvenil no Brasil, abordando seus determinantes, consequências e estratégias de enfrentamento. Trata-se de uma revisão narrativa de caráter qualitativo-descritivo, realizada em 2025, a partir de artigos publicados entre 2020 e 2025 nas bases de dados SciELO, PubMed e LILACS, utilizando descritores relacionados ao comportamento alimentar, índice de massa corporal e hábitos alimentares. Os resultados demonstraram que a obesidade na adolescência apresenta etiologia multifatorial, sendo predominantemente associada a fatores exógenos, como consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, sedentarismo, influência do ambiente familiar e desigualdades socioeconômicas. Observa-se ainda associação significativa com alterações metabólicas precoces, como dislipidemias, hipertensão arterial e resistência à insulina, além de impactos psicossociais, incluindo estigmatização, baixa autoestima e sintomas ansiosos e depressivos. A pandemia da COVID-19 agravou esse cenário, contribuindo para o aumento do excesso de peso nessa faixa etária. Conclui-se que o enfrentamento da obesidade na adolescência exige ações integradas e sustentadas, envolvendo estratégias educativas, intervenções multidisciplinares e políticas públicas voltadas à promoção de ambientes alimentares saudáveis e à prevenção precoce das doenças crônicas não transmissíveis.
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