Percepção e nível de conhecimento de médicos residentes em Ginecologia e Obstetrícia sobre vaginismo, em hospital de referência no Pará
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50651Palavras-chave:
Vaginismo, Disfunções sexuais femininas , Educação medica, Ensino.Resumo
Objetivo: Avaliar a percepção e o nível de conhecimento de médicos residentes em Ginecologia e Obstetrícia sobre o vaginismo em um hospital de referência no estado do Pará. Método: Estudo observacional, transversal e descritivo, realizado com 54 médicos residentes de Ginecologia e Obstetrícia da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, no ano de 2025. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado, elaborado pelos pesquisadores, contendo questões sociodemográficas e perguntas sobre diagnóstico, fisiopatologia, manejo e percepção do vaginismo. Os dados foram coletados eletronicamente e analisados de forma descritiva. Resultados: Observou-se elevado reconhecimento de conceitos básicos relacionados ao vaginismo, como sua não restrição à dor profunda ou exclusivamente ao ato sexual. Entretanto, 59,3% dos residentes classificaram incorretamente o vaginismo como uma condição psiquiátrica. Identificou-se importante déficit na formação prática, com apenas 5,6% relatando contato com fisioterapia pélvica durante a residência e 81,5% referindo insegurança para orientar exercícios do assoalho pélvico. Ademais, 100% dos participantes consideraram insuficiente o suporte do Sistema Único de Saúde para o manejo do vaginismo e reconheceram limitações estruturais no acesso ao tratamento multiprofissional. Conclusão: Apesar do conhecimento teórico satisfatório em aspectos gerais, persistem lacunas relevantes na compreensão conceitual, na capacitação prática e na abordagem multiprofissional do vaginismo. Os achados evidenciam a necessidade de fortalecimento da formação em saúde sexual feminina durante a residência médica, visando reduzir o subdiagnóstico e qualificar a assistência às mulheres com vaginismo.
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