Formação de coágulos em bolsas de sangue: Evidências operacionais, fatores contribuintes e estratégias de mitigação em um serviço público de hemoterapia
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50708Palavras-chave:
Serviço de Hemoterapia, Qualidade da Assistência à Saúde, Transfusão de Sangue, Unidades Hemoterápicas.Resumo
A formação de coágulos em bolsas de sangue representa um evento crítico de qualidade e segurança transfusional, estando associada a falhas operacionais ao longo do ciclo hemoterápico. A identificação desses eventos exige uma abordagem sistêmica, considerando a interação entre fatores técnicos, humanos e organizacionais envolvidos nos processos de coleta, homogeneização e monitoramento dos hemocomponentes. Este estudo objetiva analisar a formação de coágulos em bolsas de sangue no contexto de um serviço público de hemoterapia, à luz de evidências operacionais e normativas, identificando fatores contribuintes ao longo do ciclo hemoterápico e discutindo estratégias de mitigação voltadas ao fortalecimento da qualidade dos processos e da segurança transfusional Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo e documental, com abordagem quantitativa e operacional, desenvolvido a partir de registros rotineiros de um serviço público de hemoterapia localizado no Nordeste do Brasil, abrangendo o período de janeiro a dezembro de 2025. Os resultados demonstraram que a formação de coágulos ocorreu predominantemente sem extrapolação dos limites clássicos de tempo e volume considerados aceitáveis, indicando que o tempo global de coleta, isoladamente, não se configurou como fator determinante primário. A formação de coágulos em bolsas de sangue deve ser compreendida como evento sistêmico de qualidade e segurança transfusional. A prevenção desses eventos requer o fortalecimento da padronização da flebotomia, do monitoramento contínuo dos processos, da capacitação das equipes e da aplicação estruturada de análises de causa raiz, contribuindo para a redução de perdas, a melhoria da qualidade dos hemocomponentes e o aumento da segurança assistencial nos serviços públicos de hemoterapia.
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