Manejo ambiental como estratégia de controle de infestação por escorpião em duas áreas do estado de São Paulo, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50729Palavras-chave:
Escorpião, Manejo ambiental, Controle, Tityus serrulatus.Resumo
Os acidentes por escorpiões representam um grave problema de saúde pública no estado de São Paulo, principalmente em áreas urbanas, sendo necessário controlar o tamanho de suas populações. Neste sentido, se realizou este estudo com o objetivo de avaliar o manejo ambiental empregado como estratégia de controle. Foram selecionadas áreas nos municípios de Hortolândia e Mogi Mirim, que apresentavam infestação por escorpião e agentes comunitários de saúde. Com orientações e visitas regulares, realizados em três ciclos de vistoria nos imóveis a cada seis meses, foram levantadas informações das condições habitacionais (intradomicílio e peridomicílio), realizadas ações educativas e orientação para melhorias no imóvel, no sentido de não permitir presença de escorpião. Na média, foram trabalhados 1.330 domicílios/ciclo. A maioria dos imóveis pesquisados foram residências (88,6%). Para o intradomicílio não se observou alteração da condição encontrada se comparada a primeira visita com as demais. Para o peridomicílio se observou melhora nas condições de poda de vegetação e nos anexos com reboco em paredes, mas piora para acúmulo de objetos inservíveis e entulho. Houve queda no encontro de escorpiões nas vistorias realizadas. As condições dos imóveis, com falta de manutenção e presença de material no peridomicílio são fatores de risco que permite a presença de escorpiões. A atividade regular de visitação aos imóveis pode contribuir para diminuição de avistamentos de escorpião o que ratifica a atividade de manejo como uma das estratégias de vigilância e controle, com reflexos na ocorrência de acidentes.
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