Ecologia microbiana do solo em restingas brasileiras: Influência das fitofisionomias e dos atributos edáficos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50825

Palavras-chave:

Ecossistemas costeiros, Formações vegetacionais, Microbioma, Microbiologia, Rizosfera.

Resumo

As restingas brasileiras constituem ecossistemas costeiros marcados por elevada heterogeneidade fitofisionômica e por fortes restrições edáficas, condições que influenciam diretamente a composição, a diversidade e o funcionamento das comunidades microbianas do solo. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo reunir, organizar e analisar evidências científicas sobre a ecologia microbiana do solo em restingas brasileiras, e evidenciar a influência das fitofisionomias e dos atributos edáficos sobre a microbiota. As evidências reunidas indicam que a heterogeneidade fitofisionômica das restingas, associada a gradientes de drenagem, salinidade, fertilidade, matéria orgânica e regime hídrico, atua como importante eixo organizador da microbiota do solo. Os resultados também mostram que a restinga apresenta composição microbiana própria em comparação com ecossistemas adjacentes, como manguezais e florestas de Mata Atlântica, além de abrigar grupos simbiontes relevantes, especialmente fungos micorrízicos, ainda insuficientemente explorados. Conclui-se que a ecologia microbiana das restingas deve ser interpretada a partir de uma abordagem integrada entre solo, vegetação e microrganismos, sendo esse entendimento fundamental para o avanço do conhecimento ecológico e para subsidiar estratégias de conservação de ambientes costeiros frágeis e ameaçados.

Referências

Bardgett, R. D. & Van der Putten, W. H. (2014). Belowground biodiversity and ecosystem functioning. Nature. 515(7528), 505-11. DOI: 10.1038/nature13855.

Bonilha, R. M., Casagrande, J. C., Soares, M. R. & Reis-Duarte, R. M. (2012). Characterization of the soil fertility and root system of restinga forests. Revista Brasileira de Ciência do Solo. 36(6), 1804-13. DOI: 10.1590/S0100-06832012000600014.

Brito, L. S., Irmler, U., Forte, B. V. G., Xavier, T. P. & Martins, R. L. (2018). Matter turnover in the oligotrophic restinga ecosystem and the importance of the key species Clusia hilariana. Biota Neotropica. 18(4), e20180552. DOI: 10.1590/1676-0611-BN-2018-0552.

Brockett, B. F. T., Prescott, C. E. & Grayston, S. J. (2012). Soil moisture is the major factor influencing microbial community structure and enzyme activities across seven biogeoclimatic zones in western Canada. Soil Biology and Biochemistry. 44(1), 9-20. DOI: 10.1016/j.soilbio.2011.09.003.

Correia, B. E. F., Almeida, J. R. E. B. & Zanin, M. (2020). Key Points about North and Northern Brazilian Restinga: a Review of Geomorphological Characterization, Phytophysiognomies Classification, and Studies’ Tendencies. The Botanical Review. 86(3-4), 329-37. DOI: 10.1007/s12229-020-09230-2.

Duarte, L. M., Bertini, S. C. B., Stürmer, S. L., Lambais, M. R. & Azevedo, L. C. B. (2019). Arbuscular mycorrhizal fungal communities in soils under three phytophysiognomies of the Brazilian Atlantic Forest. Acta Botanica Brasilica. 33(1), 50-60. DOI: 10.1590/0102-33062018abb0236.

Fenandes, J. M. B., Vieira, L. T. & Castelhano, M. V. C. (2023). Revisão narrativa enquanto metodologia científica significativa: reflexões técnico-formativas. REDES – Revista Educacional da Sucesso. 3(1), 1-7. ISSN: 2763-6704.

Fierer, N. & Jackson, R. B. (2006). The diversity and biogeography of soil bacterial communities. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 103(3), 626-31. DOI: 10.1073/pnas.0507535103.

Fierer, N., Leff, J. W., Adams, B. J., Nielsen, U. N., Bates, S. T., Lauber, C. L., Owens, S., Gibert, J. A., Wall, D. H. & Caporaso, J. G. (2012). Cross-biome metagenomic analyses of soil microbial communities and their functional attributes. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 109(52), 21390-5. DOI: 10.1073/pnas.1215210110.

Furtado, A. N. M., Leonardi, M. Comandini, O., Neves, M. A. & Rinaldi, A. C. (2023). Restinga ectomycorrhizae: a work in progress. F1000Research. 12, 317. DOI: 10.12688/f1000research.131558.1.

Giaretta, A., Menezes, L. F. T. & Pereira, O. J. (2013). Structure and floristic pattern of a coastal dunes in southeastern Brazil. Acta Botanica Brasilica. 27(1), 87-107. DOI: 10.1590/S0102-33062013000100011.

Lauber, C. L., Hamady, M., Knight, R. & Fierer, N. (2009). Pyrosequencing-based assessment of soil pH as a predictor of soil bacterial community structure at the continental scale. Applied and Environmental Microbiology. 75(15), 5111-20. DOI: 10.1128/AEM.00335-09.

Lourenço, J. R. J., Newman, E. A., Ventura, J. A., Milanez, C. R. D., Thomaz, L. D., Wanderkoren, D. T. & Enquist, B. J. (2021). Soil-associated drivers of plant traits and functional composition in Atlantic Forest coastal tree communities. Ecosphere. 12(7), e03629. DOI: 10.1002/ecs2.3629.

Magnago, L. F. S., Martins, S. V. & Pereira, O. J. (2011). Heterogeneidade florística das fitocenoses de restingas nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, Brasil. Revista Árvore. 35(2), 245-54. DOI: 10.1590/S0100-67622011000200009.

Magnago, L. F. S., Martins, S. V., Schefer, C. E. G. R. & Neri, A. V. (2010). Gradiente fitofisionômico-edáfico em formações florestais de Restinga no sudeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica. 24(3), 734-46. DOI: 10.1590/S0102-33062010000300017.

Mendes, L W. & Tsai, S. M. (2018). Distinct taxonomic and functional composition of soil microbiomes along the gradient forest-restinga-mangrove in southeastern Brazil. Antonie van Leeuwenhoek. 111(1), 101-14. DOI: 10.1007/s10482-017-0931-6.

Menezes, L. F. T., Araujo, D. S. D. & Nettesheim, F. C. (2010). Estrutura comunitária e amplitude ecológica do componente lenhoso de uma floresta de restinga mal drenada no sudeste do Brasil. Acta Botanica Brasilica. 24(3), 825-39. DOI: 10.1590/S0102-33062010000300025.

McGuire, K. L. & Treseder, K. K. (2009). Microbial communities and their relevance for ecosystem models: decomposition as a case study. Soil Biology and Biochemistry. 42(4), 529-35. DOI: 10.1016/j.soilbio.2009.11.016.

Pereira, O. J. & Assis, A. M. (2000). Florística da restinga de Camburi, Vitória, ES. Acta Botanica Brasilica. 14(1), 99-111. DOI: 10.1590/S0102-33062000000100009.

Pereira, A. S. et al. (2018). Metodologia da pesquisa científica. [free ebook]. Santa Maria: Editora da UFSM.

Risemberg, R. I. C. et al. (2026). A importância da metodologia científica no desenvolvimento de artigoscientíficos. E-Acadêmica, 7(1), e0171675. https://eacademica.org/eacademica/article/view/675.

Pinto, A. L., Canei, A. D., De Armas, R. D., Silva, E. P., Herández, A. G., Giachini, A. J., Soares, C. R. F. S. (2020). Structure of microbial soil communities in areas of restinga: a case study in a conservation unit in the Atlantic Forest of the Southern Brazilian coast. Tropical Ecology. 61, 594-600. DOI: 10.1007/s42965-020-00103-8.

Pupin, B. & Nahas, E. (2014). Microbial populations and activities of mangrove, restinga and Atlantic forest soils from Cardoso Island, Brazil. Journal of Applied Microbiology. 116(4), 851-64. DOI: 10.1111/jam.12413.

Rother, E. T. (2007). Revisão sistemática vs. revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem. 20(2), 5-6.

Santos, C. R., Freitas, R. R. & Medeiros, J. D. (2023). Participação social e retrocessos na proteção da vegetação de restinga no Brasil no período entre 1965 e 2021. Desenvolvimento e Meio Ambiente. 61, 58-84. DOI: 10.5380/dma.v61i0.81531.

Snyder, H. (2019). Literature review as a research methodology: An overview and guidelines. Journal of Business Research. 104, 333-9. https://doi.org/10.1016/j.jbusres.2019.07.039.

Van der Heijden, M. G. A., Bardgett, R. D. & Van Straalen, N. M. (2008). The unseen majority: soil microbes as drivers of plant diversity and productivity in terrestrial ecosystems. Ecology Letters. 11(3), 296-310. DOI: 10.1111/j.1461-0248.2007.01139.x.

Downloads

Publicado

2026-03-25

Edição

Seção

Ciências Agrárias e Biológicas

Como Citar

Ecologia microbiana do solo em restingas brasileiras: Influência das fitofisionomias e dos atributos edáficos. Research, Society and Development, [S. l.], v. 15, n. 3, p. e6915350825, 2026. DOI: 10.33448/rsd-v15i3.50825. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/50825. Acesso em: 2 abr. 2026.