Importância da profilaxia antibiótica na prevenção da endocardite infecciosa em procedimentos odontológicos: Uma revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50858Palavras-chave:
Endocardite infecciosa, Profilaxia antibiótica, Odontologia, Bacteremia.Resumo
A endocardite infecciosa (EI) consiste em uma infecção de elevada relevância clínica que acomete, principalmente, o endocárdio e as valvas cardíacas, podendo evoluir com complicações graves e importante impacto sobre a morbidade e a mortalidade. No contexto odontológico, a cavidade bucal merece atenção especial por abrigar ampla microbiota e por poder favorecer episódios transitórios de bacteremia, sobretudo durante procedimentos invasivos ou diante de condições inflamatórias bucais persistentes. Em indivíduos com alterações cardíacas predisponentes, tais episódios podem contribuir para a instalação da infecção cardíaca. Ao longo dos anos, a profilaxia antibiótica foi amplamente utilizada na prática odontológica; entretanto, recomendações mais recentes da American Heart Association (AHA) e da European Society of Cardiology (ESC) passaram a restringir sua indicação a pacientes considerados de maior risco, como portadores de próteses valvares, indivíduos com histórico prévio de EI e alguns casos de cardiopatias congênitas. O presente estudo teve como objetivo discutir, por meio de revisão narrativa da literatura, a importância da profilaxia antibiótica em procedimentos odontológicos e sua relação com a prevenção da endocardite infecciosa. As evidências reunidas indicam que a antibioticoprofilaxia tende a apresentar maior benefício em pacientes de alto risco, enquanto a manutenção da saúde bucal, o controle de focos infecciosos e a adoção de medidas preventivas não farmacológicas também desempenham papel central na redução da ocorrência de bacteremia.
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