O uso de Canabidiol no tratamento da Doença de Alzheimer: Quais são os principais efeitos farmacológicos atribuídos ao Canabidiol relevantes para o tratamento da Doença de Alzheimer?
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50895Palavras-chave:
Canabidiol, Alzheimer, Tratamento, Doenças Neurodegenerativas.Resumo
As doenças neurodegenerativas representam um dos maiores desafios da saúde pública mundial, especialmente em função do envelhecimento populacional. Entre elas, a Doença de Alzheimer (DA) destaca-se por sua alta prevalência e pelo impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes e familiares. Caracterizada pela perda progressiva de neurônios e acúmulo anormal das proteínas β-amiloide (Aβ) e Tau, a DA envolve mecanismos complexos de neuroinflamação, estresse oxidativo e disfunção sináptica. Nesse contexto, o canabidiol (CBD), um fitocanabinoide não psicoativo derivado da Cannabis sativa, tem despertado crescente interesse científico devido às suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e neuroprotetoras. Este trabalho tem como objetivo analisar os principais efeitos farmacológicos e mecanismos de ação do CBD no tratamento da Doença de Alzheimer, por meio de uma revisão de escopo realizada nas bases Google Acadêmico e PubMed, abrangendo publicações entre 2010 e 2025. Os resultados demonstram que o CBD atua sobre múltiplos alvos moleculares, como: CB1, CB2, PPARγ, TRPV1, 5-HT1A e GPR55, promovendo redução da neuroinflamação, inibição da enzima GSK-3β, ativação da via Wnt/β-catenina, diminuição da produção de Aβ e da fosforilação da proteína Tau, além de melhorar a homeostase sináptica. Apesar de ainda existirem lacunas quanto às doses ideais, segurança a longo prazo e protocolos clínicos padronizados, as evidências apontam o CBD como uma alternativa terapêutica promissora e segura para o manejo da Doença de Alzheimer, podendo contribuir para retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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