Desenvolvimento humano e hospitalizações por infarto agudo do miocárdio no centro-oeste do Brasil: Estudo ecológico, 2020–2025
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50900Palavras-chave:
Infarto Agudo do Miocárdio, Desenvolvimento Humano, Estudos Ecológicos, Hospitalização, Desigualdade em Saúde.Resumo
Objetivo: Analisar a relação ecológica entre o IDH (índice de desenvolvimento humano) e as taxas de hospitalização por IAM (infarto agudo do miocárdio) no Centro-Oeste do Brasil (2020-2025). Métodos: Estudo ecológico, retrospectivo e quantitativo com dados do SIH/SUS e do Atlas Brasil. Foram analisadas internações por IAM (CID-10: I21) em idosos (≥60 anos) em MS, MT, GO e DF. Calculou-se a taxa por 100.000 habitantes e a correlação de Pearson entre o último IDHM disponível (2021) e as taxas municipais. Reconhecem-se as limitações inerentes aos estudos ecológicos, incluindo a possibilidade de falácia ecológica. Resultados: Registraram-se 50.667 internações. Goiás apresentou o maior volume (25.715) e taxa (356,8), seguido por MS (318,1). O DF, com maior IDHM (0,814), teve taxa intermediária (255,7). Na análise municipal, houve correlação positiva significativa (r = 0,37; p = 0,011): municípios com maior IDHM registram maiores taxas de hospitalização no SUS. Conclusão: A associação positiva entre IDHM e hospitalizações evidencia desigualdade no acesso aos serviços de saúde, com maior capacidade diagnóstica em áreas mais desenvolvidas. Estes achados reforçam a necessidade de fortalecer a Atenção Primária em regiões vulneráveis, implementar políticas de equidade regional e garantir acesso equitativo à saúde para reduzir disparidades na mortalidade cardiovascular.
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