Estruturação de um bivalve invasor mediada pelo substrato em um sistema de manguezal rochoso influenciado por águas subterrâneas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50969Palavras-chave:
Bioinvasão Marinha, Bivalve Invasor, Ecossistema de Mangue, Filtragem de Habitat, Ecologia Costeira.Resumo
Os ecossistemas de manguezais são ambientes costeiros altamente produtivos, crescentemente ameaçados por invasões biológicas, que podem alterar a estrutura das comunidades e o funcionamento dos ecossistemas. O bivalve invasor Isognomon bicolor (C. B. Adams, 1845), nativo do Caribe, expandiu-se ao longo da costa brasileira; entretanto, suas dinâmicas ecológicas em sistemas de manguezais não convencionais permanecem pouco compreendidas. Este estudo avalia a estrutura populacional de I. bicolor no Mangue de Pedra, um manguezal rochoso singular influenciado por água subterrânea, localizado em Armação dos Búzios (Rio de Janeiro, Brasil). Foi aplicado um delineamento amostral quantitativo utilizando 30 quadrats (0,09 m² cada), distribuídos em três micro-habitats: raízes/substrato lodoso, tálus rochoso e costão rochoso consolidado. Um total de 1.351 indivíduos foi registrado, com ocorrência de 100% em todos os quadrats amostrados, indicando ampla distribuição em escala local. No entanto, a abundância variou significativamente entre os habitats, com maiores densidades em substratos consolidados (1120,0 ind m⁻²), valores intermediários em tálus rochoso (312,2 ind m⁻²) e menores densidades em ambientes associados a raízes com substrato lodoso (68,9 ind m⁻²). Esse padrão demonstra um claro desacoplamento entre ocorrência e abundância, indicando que, embora a dispersão favoreça a colonização ampla, o filtro ambiental local, especialmente a estabilidade do substrato, desempenha papel fundamental na regulação da densidade populacional. A heterogeneidade estrutural e a conectividade hidrológica do Mangue de Pedra sugerem que esse sistema pode atuar tanto como ambiente receptor quanto como potencial fonte de propágulos.
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