Intoxicação por metanol em seres humanos: Panorama mundial e evidências recentes no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.49876Palavras-chave:
Metanol, Intoxicação, Vigilância sanitária, Saúde pública.Resumo
Este artigo tem como objetivo analisar a intoxicação por metanol em seres humanos, abordando o panorama mundial, os mecanismos tóxicos envolvidos, os principais surtos documentados e as evidências recentes observadas no Brasil. A discussão baseia-se em uma revisão integrativa de estudos que apresentam dados epidemiológicos, aspectos fisiopatológicos, manifestações clínicas, condutas terapêuticas e informações disponibilizadas por órgãos nacionais e internacionais, como o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). No cenário global, surtos de intoxicação por metanol ocorrem de forma recorrente em países como Irã, Índia, Indonésia e Quênia, frequentemente associados a altas taxas de mortalidade. No Brasil, o surto registrado em 2025 configurou o evento mais grave já documentado, totalizando 73 casos e 22 óbitos, principalmente no estado de São Paulo. Os resultados evidenciam a urgência de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da vigilância sanitária, à ampliação de estratégias educativas sobre os riscos do consumo de produtos não regulamentados e à melhoria da rastreabilidade e do acesso ao tratamento adequado. Tais medidas são fundamentais para prevenir novos episódios de intoxicação e reduzir seus impactos na saúde pública.
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