Desfechos funcionais da reconstrução de parede abdominal com telas biológicas versus sintéticas em herniorrafias complexas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50198Palavras-chave:
Malha sintética, Malha biológica, Hérnia ventral, Campo cirúrgico contaminado, Desfechos pós-operatórios.Resumo
Introdução. A escolha do tipo de malha na reconstrução da parede abdominal em herniorrafias complexas, especialmente em campos cirúrgicos contaminados, tem sido alvo de crescente debate na prática cirúrgica. Objetivo. O presente estudo teve por objetivo comparar os desfechos clínicos associados ao uso de malhas sintéticas, biológicas e biossintéticas em herniorrafias complexas, com ênfase em recorrência de hérnia, complicações infecciosas, tempo de internação e custo hospitalar. Metodologia. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com seleção de estudos publicados entre 2015 e 2025 nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, Google Scholar e Cochrane Library. Foram incluídas meta-análises, revisões sistemáticas e estudos comparativos que apresentaram dados quantitativos sobre os principais desfechos clínicos Resultados e Discussão. A análise dos nove estudos selecionados indicou que as malhas sintéticas, mesmo em ambientes contaminados, estão associadas a menores taxas de recorrência e custos significativamente mais baixos, sem aumento proporcional das taxas de infecção. Em contrapartida, as malhas biológicas apresentaram resultados inferiores em diversos estudos. As malhas biossintéticas, como a RBOR, demonstraram desempenho promissor, especialmente em pacientes de alto risco, embora careçam de estudos de longo prazo. Conclusão. As evidências atuais sustentam que as malhas sintéticas devem ser consideradas a primeira escolha em herniorrafias complexas, inclusive em campos contaminados. As malhas biossintéticas surgem como alternativa intermediária promissora, e a seleção do material deve considerar o perfil clínico do paciente, os custos envolvidos e a disponibilidade institucional.
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