O papel da psilocibina como tratamento adjuvante no transtorno depressivo maior resistente: Uma revisão integrativa da literatura
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50263Palavras-chave:
Transtorno Depressivo Resistente a Tratamento, Terapia Farmacológica Adjuvante, Psilocibina.Resumo
Introdução: O Transtorno Depressivo Maior Resistente (TDMR) representa um desafio clínico significativo, afetando pacientes que não respondem adequadamente a múltiplas abordagens terapêuticas convencionais. Nos últimos anos, substâncias psicodélicas como a psilocibina têm emergido como alternativas promissoras no manejo adjuvante da depressão resistente, despertando crescente interesse científico. Objetivo: Analisar criticamente as evidências atuais sobre a eficácia e segurança da psilocibina como tratamento adjuvante no transtorno depressivo maior resistente. Materiais e Métodos: A metodologia de pesquisa utilizada foi a revisão integrativa da literatura. Utilizou-se a estratégia PICO para a elaboração da pergunta que norteou a elaboração do trabalho. Em adição a isso, realizou-se o cruzamento dos descritores “Transtorno Depressivo Resistente a Tratamento”; “Terapia Farmacológica Adjuvante”; “Psilocibina”, nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed MEDLINE), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Ebscohost, Google Scholar e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS). Resultados e Discussão: Estudos clínicos recentes demonstram que a psilocibina, quando administrada em ambiente controlado e com suporte psicoterapêutico, promove respostas antidepressivas rápidas e sustentadas em pacientes com TDMR. Seus efeitos parecem estar relacionados à modulação da conectividade cerebral e à indução de experiências subjetivas intensas, que favorecem a reestruturação cognitivo-afetiva. Os eventos adversos relatados são geralmente leves a moderados e autolimitados, sendo essencial o acompanhamento profissional qualificado. Conclusão: A psilocibina representa uma abordagem inovadora e promissora como terapia adjuvante no TDMR. Apesar dos resultados encorajadores, são necessários mais estudos para consolidar sua segurança, padronizar protocolos e ampliar seu uso clínico responsável.
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