Fatores sociodemográficos, acadêmicos e de estilo de vida, associados à ansiedade e à depressão em graduandos de Medicina
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50373Palavras-chave:
Estudantes de Medicina, Ansiedade, Depressão, Saúde mental, Fatores de risco.Resumo
O objetivo deste estudo foi investigar a prevalência e analisar a associação entre fatores sociodemográficos, acadêmicos e de estilo de vida e a presença de sintomas de ansiedade e depressão em estudantes de medicina de uma instituição do interior da Bahia. Trata-se de um inquérito observacional, transversal, de abordagem quantitativa, realizado com 110 estudantes que responderam aos instrumentos GAD-7 e PHQ-9, além de um questionário de caracterização. Foram conduzidas análises descritivas, bivariadas e regressão logística multivariada para identificar preditores independentes de ansiedade e depressão. Os resultados mostraram prevalências elevadas de ansiedade (53,6 por cento) e depressão (58,2 por cento). Na análise ajustada, a idade apresentou associação inversa com ansiedade, indicando que estudantes mais jovens apresentaram maior chance de sintomas ansiosos. Para depressão, o sexo feminino manteve associação independente, com maior probabilidade de sintomas depressivos em comparação ao sexo masculino. Variáveis como prática de lazer, atividade física, renda suficiente e satisfação com o curso não mantiveram significância após ajuste multivariado. Conclui-se que o sofrimento psicológico entre estudantes de medicina é expressivo e influenciado por fatores individuais e sociodemográficos. A identificação de grupos mais vulneráveis, como mulheres e estudantes mais jovens, ressalta a necessidade de políticas institucionais de promoção da saúde mental e de intervenções preventivas contínuas. Estudos longitudinais são recomendados para aprofundar a compreensão desses determinantes e orientar estratégias de cuidado mais efetivas.
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