Os fungos melanizados e atenuação da radiação ionizante: Revisão bibliográfica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50422

Palavras-chave:

Blindagem biotecnológica, Exploração espacial, Fungos melanizados, Melanina fúngica, Radiação ionizante, Radiotropismo, Proteção radiológica.

Resumo

A radiação ionizante representa um desafio crítico em contextos terrestres e, especialmente, na exploração espacial, onde níveis elevados de radiação cósmica ameaçam a segurança de missões tripuladas fora da magnetosfera terrestre. Nesse cenário, os fungos melanizados radiotróficos emergem como alternativa biotecnológica promissora devido à capacidade singular da melanina fúngica de absorver, dissipar e atenuar radiação ionizante, além de potencialmente converter parte dessa energia em benefício metabólico. O presente trabalho tem como objetivo examinar criticamente, por meio de uma revisão bibliográfica, o papel dos fungos melanizados na atenuação da radiação ionizante e avaliar sua viabilidade enquanto alternativa biotecnológica emergente para sistemas de blindagem radiológica. Esta pesquisa, conduzida por meio de revisão bibliográfica exploratória e qualitativa, analisou estudos laboratoriais e experimentos realizados na Estação Espacial Internacional, que demonstram aumento de crescimento e capacidade protetora de espécies como Cladosporium sphaerospermum. Os resultados indicam que a melanina fúngica pode atuar como um radioprotetor natural eficiente, com aplicações voltadas à construção de estruturas autorregenerativas e sistemas de blindagem produzidos in situ em ambientes extraterrestres. Embora promissores, os avanços ainda são limitados por lacunas metodológicas e pela necessidade de maior padronização e aprofundamento experimental. Assim, destaca-se o potencial dos fungos melanizados para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis de proteção radiológica tanto em ambientes terrestres quanto espaciais.

Referências

Averesch, N. J. H., Shunk, G. K., & Kern, C. (2022). Cultivation of the dematiaceous fungus Cladosporium sphaerospermum aboard the International Space Station and effects of ionizing radiation. Frontiers in Microbiology, 13, 877625. https://doi.org/10.3389/fmicb.2022.877625

Bland, J., et al. (2022). Evaluating changes in growth and pigmentation of Cladosporium cladosporioides and Paecilomyces variotii in response to gamma and ultraviolet irradiation. Scientific Reports, 12, 12142. https://doi.org/10.1038/s41598-022-16063-z

Dadachova, E., & Casadevall, A. (2008). Ionizing radiation: How fungi cope, adapt, and exploit with the help of melanin. Current Opinion in Microbiology, 11(6), 525–531. https://doi.org/10.1016/j.mib.2008.09.013

Dighton, J., Tugay, T., & Zhdanova, N. (2008). Fungi and ionizing radiation from radionuclides. FEMS Microbiology Letters, 281(1), 109-120. https://doi.org/10.1111/j.1574-6968.2008.01108.x

Gil, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social (6. ed.). Editora Atlas.

Lakatos, E. M., & Marconi, M. A. (2003). Fundamentos de metodología científica (5. ed.). Editora Atlas.

Lakatos, E. M., & Marconi, M. A. (2007). Metodologia do trabalho científico (6. ed.). Editora Atlas.

Malo, N., & Dadachova, E. (2019). Melanin as an energy transducer and a radioprotector in black fungi. In S. M. Tiquia-Arashiro & M. Grube (Eds.), Fungi in extreme environments: Ecological role and biotechnological significance (pp. 249-266). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-030-19030-9_10

National Aeronautics and Space Administration [NASA]. (2020). Mycelial composites for space habitats. https://www.nasa.gov/directorates/spacetech/niac/2020_Phase_I_Phase_II/myco-architecture/

Okuno, E. (2013). Radiação: Efeitos, riscos e benefícios. Oficina de Textos.

Prodanov, C. C., & Freitas, E. C. (2013). Metodologia do trabalho científico: Métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico (2. ed.). Feevale. https://www.feevale.br/Composicao/com_apoio_institucional/proppex/Pdf/E-book_Metodologia_do_Trabalho_Cientifico.pdf

Robertson, K. L., et al. (2012). Ionizing radiation: Molecular and cellular responses in the fungal kingdom. PLoS One, 7(12), e50963. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0050963

Shunk, G. K., Gomez, X. R., Kern, C., & Averesch, N. J. H. (2020). Growth of the radiotrophic fungus Cladosporium sphaerospermum aboard the International Space Station and effects of ionizing radiation [Pre-print]. bioRxiv.https://doi.org/10.1101/2020.07.16.205534

Soares, J. C. A. C. R. (2008). Princípios de física em radiodiagnóstico (2. ed. rev.). Colégio Brasileiro de Radiologia.

Tauhata, L., et al. (2013). Radioproteção e dosimetria: Fundamentos (9. ed. rev.). IRD/CNEN. http://www.ird.gov.br/images/stories/Arquivos/Prt/Apostila_RD_Fundamentos.pdf

Tibolla, M. H., & Fischer, J. (2025). Fungos radiotróficos e sua utilização como agentes de biorremediação de áreas afetadas por radiação e como agentes protetores. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, 14(1), e2514147965. https://doi.org/10.33448/rsd-v14i1.47965

Rother, E. T. (2007). Revisão sistemática x revisão narrativa. Acta Paulista de Enfermagem. 20(2), 5-6.

Pereira, A. S. et al. (2018). Metodologia da pesquisa científica. [free ebook]. Editora da UFSM.

Vasileiou, T., & Summerer, L. (2020). Biotechnology for radiation shielding in space habitats. Acta Astronautica, 170, 665–673. https://doi.org/10.1016/j.actaastro.2020.02.019

Meredith, P.; Sarna, T. The physical and chemical properties of eumelanin. Pigment Cell Research, 19(6), 572–594, dez. 2006.

Zhdanova, N. N., Zakharchenko, V. A., Vember, V. V., & Nakonechnaya, L. T. (2000). Fungi from Chernobyl: mycobiota of the inner regions of the containment structures of the damaged nuclear reactor. Mycological Research, 104(12), 1421–1426. https://doi.org/10.1017/S0953756200002756

Downloads

Publicado

2025-12-22

Edição

Seção

Artigos de Revisão

Como Citar

Os fungos melanizados e atenuação da radiação ionizante: Revisão bibliográfica. Research, Society and Development, [S. l.], v. 14, n. 12, p. e163141250422, 2025. DOI: 10.33448/rsd-v14i12.50422. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/50422. Acesso em: 2 jan. 2026.