A trissomia do cromossomo 21 e o sujeito da linguagem: Constituindo-se por meio da oralidade
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50519Palavras-chave:
Oralidade, Trissomia do cromossomo 21, Sujeito da linguagem, Mediação.Resumo
Este artigo objetiva refletir sobre a oralidade na Trissomia do Cromossomo 21 (T21) como espaço de constituição do sujeito da linguagem, considerando os processos de significação que emergem nas interações sociais mediadas. Fundamenta-se em pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Enunciação e da Neurolinguística Discursiva, perspectivas que compreendem a linguagem como prática social e o sujeito como constituído nos e pelos processos enunciativo-discursivos. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, que articula revisão bibliográfica com a análise de um dado empírico. O dado analisado refere-se a uma situação enunciativo-discursiva envolvendo uma criança com T21, sendo transcrito e interpretado à luz do referencial teórico-metodológico da Neurolinguística Discursiva. Os resultados evidenciam que, embora a oralidade do sujeito com T21 possa apresentar descontinuidades e organização não convencional, ela é atravessada por sentidos, intencionalidades e marcas de subjetivação. Observa-se que a mediação do interlocutor exerce papel central na reorganização do dizer, possibilitando avanços na construção de enunciados com marcação de pessoa, tempo e espaço. Conclui-se que a oralidade, quando compreendida como prática social mediada, constitui-se como espaço privilegiado de significação e de emergência do sujeito da linguagem, reafirmando que os fatores biológicos não determinam, de forma absoluta, o desenvolvimento linguístico de pessoas com T21.
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