Associação do padrão alimentar ocidental e o câncer de mama, no norte do estado do Ceará: Estudo caso controle
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50544Palavras-chave:
Câncer de Mama, Alimentos Ultraprocessados, Índice de Alimentação Saudável, Ciência da Nutrição.Resumo
O câncer de mama permanece como um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde persistem desigualdades no acesso ao diagnóstico, atrasos no tratamento e mudança nos padrões alimentares marcados pelo consumo de alimentos ultraprocessados. O presente estudo tem como propósito investigar a associação entre a qualidade da dieta e o câncer de mama em mulheres atendidas em serviços de saúde do norte do Ceará. Trata-se de um estudo observacional caso-controle, composto por 40 mulheres com diagnóstico recente de câncer de mama e 55 mulheres sem histórico da doença, pareadas por faixa etária. A coleta de dados envolveu entrevistas presenciais, utilizando um Questionário de Frequência Alimentar (QFA) quantitativo, além de informações sociodemográficas, gineco-obstétricas, antropométricas e clínicas. As associações foram analisadas por regressão logística univariada e multivariada, com cálculo de Odds Ratio (OR) e IC95%. Os resultados mostraram que a maioria das participantes, tanto do grupo caso quanto do controle, apresentou dieta “precisando de melhorias”, e nenhuma categoria do IASad demonstrou associação significativa com o desfecho. Em contrapartida, fatores reprodutivos e antropométricos se destacaram: a nuliparidade aumentou o risco de câncer de mama (OR = 4,32; p = 0,02) e a obesidade apresentou associação inversa (OR = 0,26; p = 0,01), achado compatível com a literatura para mulheres em pré-menopausa. Conclui-se que, na amostra, fatores reprodutivos e antropométricos exerceram maior influência sobre o risco de câncer de mama do que a qualidade da dieta isoladamente, reforçando a necessidade de estratégias preventivas multidimensionais.
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