Impacto do modulador elexacaftor/tezacaftor/ivacaftor (ETI) na complexidade das prescrições e no desfecho clínico de crianças e adolescentes com fibrose cística
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50550Palavras-chave:
Fibrose Cística, Regulador de Condutância Transmembrana em Fibrose Cística, Polimedicação.Resumo
A fibrose cística é uma doença genética autossômica recessiva, multissistêmica, associada a elevada complexidade farmacoterapêutica. Este estudo objetiva avaliar o impacto da introdução do ETI na farmacoterapia de crianças e adolescentes com FC atendidos em um hospital de referência do Rio de Janeiro, considerando sua influência na desprescrição de medicamentos, complexidade das prescrições e número de internações. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, do tipo antes e depois, realizado em hospital público de referência em fibrose cística no Rio de Janeiro. Foram incluídos 13 pacientes pediátricos (≥6 anos) com diagnóstico confirmado de fibrose cística, em uso de ETI por no mínimo seis meses. O Índice de Complexidade da Farmacoterapia (ICFT) foi aplicado a duas prescrições por paciente: a última imediatamente anterior ao início do ETI e outra após seis meses de tratamento. Foram analisados o ICFT total e as seções A, B e C, com comparação pareada pelo teste de Wilcoxon. A média de idade foi de 11 anos, com predominância do sexo feminino (69,2%). O ICFT mediano foi de 34,0 pontos nos períodos pré e pós-ETI. Observou-se aumento do ICFT em 69,2% dos pacientes e redução em 30,8%. A principal variação ocorreu na Seção C, relacionada a instruções adicionais de uso, com diferença estatisticamente significativa. Pacientes com comorbidades apresentaram ICFT basal mais elevado e menor variação após a introdução do ETI. Conclui-se que, no curto prazo, o ETI não se associou à redução da complexidade farmacoterapêutica medida pelo ICFT, reforçando a necessidade de seguimento longitudinal e amostras maiores.
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