Impacto das barreiras de acessibilidade na aprendizagem no 5º ano do Ensino Fundamental: Uma análise dos resultados nacionais do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2019
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i1.50566Palavras-chave:
Acessibilidade Pedagógica, Sistema de Avaliação da Educação Básica, Desigualdade Educacional, Aprendizagem, Tecnologia Assistiva.Resumo
As avaliações em larga escala assumiram papel central na governança dos sistemas educacionais contemporâneos, influenciando políticas curriculares, alocação de recursos e estratégias de responsabilização institucional. No Brasil, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) constitui o principal instrumento de monitoramento do desempenho escolar em Língua Portuguesa e Matemática. Os resultados do SAEB 2019 evidenciam fragilidades persistentes na consolidação das aprendizagens fundamentais já no 5º ano do Ensino Fundamental, etapa decisiva para a trajetória escolar subsequente. Este artigo tem como objetivo analisar os resultados nacionais do SAEB 2019 para o 5º ano sob a perspectiva da acessibilidade pedagógica e curricular, defendendo que parcela significativa do baixo desempenho observado decorre de barreiras estruturais de acesso ao currículo e não exclusivamente de fatores individuais dos estudantes. Trata-se de uma pesquisa quantitativa descritiva de natureza documental, baseada na análise de dados agregados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Os resultados indicam médias nacionais de proficiência abaixo dos níveis considerados adequados e diferenças consistentes associadas à composição das redes de ensino, revelando desigualdades estruturais de oportunidades educacionais. Conclui-se que a ausência de políticas sistemáticas de acessibilidade pedagógica contribui para a produção de uma exclusão educacional silenciosa, reforçando a necessidade de incorporação do Desenho Universal para a Aprendizagem e das Tecnologias Assistivas como eixos estruturantes das políticas educacionais orientadas à equidade desde os anos iniciais da escolarização.
Referências
Ainscow, M. (2020). Promoting inclusion and equity in education: Lessons from international experiences. Nordic Journal of Studies in Educational Policy, 6(1), 7–16. https://doi.org/10.1080/20020317.2020.1729587
American Educational Research Association, American Psychological Association, & National Council on Measurement in Education. (2018). Standards for educational and psychological testing. AERA.
Bersch, R. (2017). Introdução à tecnologia assistiva. Assistiva Tecnologia e Educação.
Bray, A., Brown, M., & O’Reilly, M. (2024). What next for Universal Design for Learning? A systematic review. British Journal of Educational Technology. (Referência do artigo/Wiley; inserir volume/número se necessário).
Brasil. (2008). Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. MEC/SEESP.
Brasil. (2015). Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União.
CAST. (2024). Universal Design for Learning Guidelines version 3.0 [Graphic organizer]. CAST.
Darling-Hammond, L., Flook, L., Cook-Harvey, C., Barron, B., & Osher, D. (2020). Implications for educational practice of the science of learning and development. Applied Developmental Science, 24(2), 97–140. https://doi.org/10.1080/10888691.2018.1537791
Florian, L., & Spratt, J. (2013). Enacting inclusion: A framework for interrogating inclusive practice. European Journal of Special Needs Education, 28(2), 119–135. https://doi.org/10.1080/08856257.2013.778111
Galvão Filho, T. A. (2013). Tecnologia assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a aprendizagem em contextos educacionais inclusivos. EDUFBA.
Gil, A. C. (2017). Como elaborar projetos de pesquisa (6ª ed.). Atlas.
Hattie, J., & Donoghue, G. (2016). Learning strategies: A synthesis and conceptual model. npj Science of Learning, 1(1), Article 16013. https://doi.org/10.1038/npjscilearn.2016.13
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. (2020). Relatório de resultados do SAEB 2019 (Volume 1). INEP.
Meyer, A., Rose, D. H., & Gordon, D. (2014). Universal design for learning: Theory and practice. CAST.
Mukhtarkyzy, K., et al. (2025). A systematic review of the utility of assistive technologies in education for students with disabilities. Frontiers in Education. https://doi.org/10.3389/feduc.2025.1523797
Organisation for Economic Co-operation and Development. (2024). Education at a Glance 2024: OECD Indicators. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/c00cad36-en
Organisation for Economic Co-operation and Development. (2024). Equity in education and on the labour market (Spotlight). OECD.
Organisation for Economic Co-operation and Development. (2021). Education at a Glance 2021: OECD Indicators. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/b35a14e5-en
Organisation for Economic Co-operation and Development. (2019). PISA 2018 results (Volume I): What students know and can do. OECD Publishing.
Pereira, A. S., Shitsuka, D. M., Parreira, F. J., & Shitsuka, R. (2018). Metodologia da pesquisa científica (e-book). UFSM.
Piekema, L., et al. (2024). From assistive to inclusive? A systematic review of the uses and effects of technology to support people with pervasive support needs. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities, 37(2), e13181. https://doi.org/10.1111/jar.13181
Rose, D. H., Meyer, A., & Hitchcock, C. (2005). The universally designed classroom: Accessible curriculum and digital technologies. Harvard Education Press.
Slee, R. (2018). Inclusive education isn’t dead, it just smells funny. Routledge.
Souza, A. R., & Oliveira, R. P. (2019). Avaliação educacional em larga escala e desigualdades escolares no Brasil. Educação & Sociedade, 40, e020671.
UNESCO. (1994). The Salamanca Statement and Framework for Action on Special Needs Education. UNESCO.
UNESCO. (2020). Global Education Monitoring Report 2020: Inclusion and education—All means all. UNESCO.
UNESCO. (2024). Global Education Monitoring Report 2024/5: Leadership in education—Lead for learning (Summary/Report). UNESCO.
UNESCO. (2021). Reimagining our futures together: A new social contract for education. UNESCO.
Vygotsky, L. S. (1978). Mind in society: The development of higher psychological processes. Harvard University Press.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Taline Vitória da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
