Avaliação da fragilidade, força muscular respiratória e funcionalidade em cardiopatas submetidos à revascularização do miocárdio
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50673Palavras-chave:
Fragilidade, Cirurgia de Revascularização do Miorcárdio, Força Muscular Respiratória, Funcionalidade.Resumo
A cardiopatia isquêmica permanece como importante causa de morbimortalidade, sendo resultante da redução do fluxo sanguíneo coronariano. A Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CRM) é indicada em casos avançados, porém está associada a alterações respiratórias e funcionais no pós-operatório. A fragilidade, definida pela redução da reserva fisiológica e da capacidade funcional, impacta negativamente os desfechos cirúrgicos, independentemente da idade, tornando sua avaliação pré-operatória relevante. Objetivo: Avaliar a fragilidade, a força muscular respiratória e a funcionalidade de pacientes submetidos à CRM nos períodos pré e pós-operatório. Materiais e Métodos: Estudo transversal, observacional e quantitativo, realizado com pacientes ≥ 42 anos submetidos à CRM eletiva em Hospital Universitário do Oeste do Paraná. As avaliações pré e pós-operatórias incluíram a Escala de Fragilidade de Edmonton, o teste Timed Up and Go (TUG), a dinamometria de preensão palmar e a manovacuometria para mensuração da pressão inspiratória máxima (PImax) e pressão expiratória máxima (PEmax). Resultados: Verificou-se redução estatisticamente significativa da força de preensão palmar direita (p=0,019) e esquerda (p=0,011). Na manovacuometria, observou-se diminuição significativa da PEmax (p=0,007), sem diferença significativa na PImax (p=0,101). O desempenho funcional apresentou piora no pós-operatório, evidenciada pelo aumento do tempo no TUG (p=0,037). A média da Escala de Fragilidade de Edmonton foi de 5,82 pontos, com predominância de indivíduos classificados como vulneráveis ou frágeis. Conclusão: Os resultados evidenciam impacto funcional e respiratório no pós-operatório da CRM, reforçando a importância da avaliação pré-operatória da fragilidade e da implementação de estratégias de pré-habilitação fisioterapêutica visando à preservação funcional e à otimização da recuperação.
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