Análise espacial da oferta da fisioterapia ambulatorial no sistema público do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50710Palavras-chave:
Fisioterapia, Análise Espacial , Desigualdades em Saúde , Sistema Único de Saúde, Sistemas de Informação em Saúde.Resumo
Objetivo: Identificar a presença de aglomerados assistenciais e diferenças conforme o porte populacional dos municípios e coeficiente de fisioterapeutas que atendem pelo SUS (CoFSUS). Métodos: Estudo ecológico com análise espacial de dados dos 5.570 municípios do Sistema de Informações Ambulatorias (SIA) e Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) de 2024. Foram aplicados testes não paramétricos e análise de autocorrelação espacial para identificar padrões e aglomerados. Resultados: O registro do serviço de fisioterapia dos municípios do Brasil foi de 58,9% (3.281 municípios). Foi menor em municípios de pequeno porte I (47,1%), porém estes tiveram a melhor média [0,37 – DP (0,44)] e mediana 0,25 [Q1 (0,11)-Q3(0,48)] para o coeficiente de atendimento ambulatorial (CoA) Não foram encontradas diferenças nas comparações dos municípios pequenos com as metrópoles. Encontrou-se ínfima correlação (r=0,167, p<0,01) entre o CoA e CoFSUS por 1.000 habitantes dos municípios. A análise espacial mostrou correlação positiva fraca (Moran global=0,11) e aglomerados de vazios assistenciais. Conclusão: A oferta da fisioterapia ambulatorial no sistema público é assimétrica e não depende do porte populacional ou da proporção de fisioterapeutas que atendem pelo SUS.
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