Reduflação na indústria de alimentos: revisão sobre estratégias de mercado, rotulagem e percepção do consumidor
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50714Palavras-chave:
Inflação oculta, Direito do consumidor, Inovação incremental.Resumo
Em um cenário econômico global instável, marcado pela volatilidade nos custos de matérias-primas e complexidade tributária, a reduflação consolida-se como uma estratégia da indústria alimentícia para mitigar pressões inflacionárias. A prática consiste na redução do conteúdo líquido de produtos sem a diminuição proporcional do preço final. Este estudo objetiva realizar uma revisão bibliográfica sobre o fenômeno, examinando suas implicações econômicas, o enquadramento em normas de rotulagem e as repercussões no direito do consumidor e na percepção do público. A metodologia fundamenta-se em uma revisão narrativa, compilando dados de bases como SciELO e Google Scholar, além de normativas de instituições como IBGE, ABIA e ANVISA. Os achados indicam que a reduflação é interpretada pelo setor como uma "inovação incremental" necessária à sustentabilidade financeira. Embora a legislação brasileira permita a alteração quantitativa, ela impõe o dever de informar claramente a modificação no painel principal do rótulo por prazo determinado. Contudo, a percepção do consumidor é majoritariamente negativa, caracterizada por sentimentos de traição e perda de confiança na marca, influenciados por fatores psicológicos e comportamentais. Sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor (CDC), a prática tangencia a publicidade enganosa quando a omissão de informações ou a falta de transparência induzem o indivíduo ao erro sobre o valor real do produto. Conclui-se que a reduflação, embora legítima sob o prisma regulatório estrito, demanda maior ética e responsabilidade, onde o fenômeno representa uma oportunidade crítica para o aprimoramento de normas e para o desenvolvimento de estratégias de mercado mais honestas e transparentes.
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