Atendimentos fisioterapêuticos para disfunções uroginecológicas no SUS: Análise dos dados de Minas Gerais (2013–2025)
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50737Palavras-chave:
Serviços de fisioterapia, Sistema Único de Saúde, Incontinência urinária, Acesso aos serviços de saúde, Saúde da mulher.Resumo
As disfunções uroginecológicas, como a incontinência urinária e os prolapsos genitais, atingem grande número de mulheres e impactam diretamente sua qualidade de vida. Apesar da relevância clínica e do avanço das evidências que comprovam a eficácia da fisioterapia uroginecológica, o acesso a esse tipo de atendimento ainda é limitado no Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo teve como objetivo analisar a oferta de fisioterapia especializada para mulheres com disfunções pélvicas no estado de Minas Gerais, no intervalo entre 2013 e 2025, buscando identificar desigualdades regionais e possíveis falhas na organização dos serviços. A partir da análise de dados oficiais e da literatura, o estudo evidenciou expressivo incremento do número de atendimentos fisioterapêuticos uroginecológicos, distribuídos de maneira irregular no estado, com menção a 15 cidades com maior quantitativo desses atendimentos. Assim, pôde-se inferir que muitas mulheres deixam de receber tratamento adequado, seja por falta de informação, vergonha ou ausência de serviços especializados. Os resultados reforçaram a necessidade de ampliar a cobertura assistencial e fortalecer a rede de atenção em saúde da mulher, garantindo cuidado integral, humanizado e acessível.
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