O skate como prática educativa e psicossocial: Um relato de experiência com crianças e adolescentes em contexto de projeto social
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50758Palavras-chave:
Skate, Projetos sociais, Desenvolvimento socioemocional, Educação não formal, Infância e Juventude.Resumo
Práticas esportivas desenvolvidas em projetos sociais têm sido reconhecidas como espaços relevantes de formação educativa e psicossocial, especialmente no trabalho com crianças e adolescentes em contextos de vulnerabilidade social. Entre essas práticas, o skate destaca-se por sua configuração singular, marcada pela experimentação corporal, pela convivência entre pares e pela aprendizagem a partir do erro, sendo compreendido também como prática cultural e identitária no contexto juvenil. Este artigo objetiva apresentar um relato de experiência com análise interpretativa, desenvolvido a partir da inserção em um projeto social de skate voltado a crianças e adolescentes. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com observação participante e registros em diário de campo, analisados à luz de referenciais da Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia do Esporte e da Educação não formal. As situações observadas indicam que o skate atua como mediador de vínculos, favorece a elaboração emocional diante da frustração e se associa à construção de sentimentos de pertencimento e reconhecimento, aspectos recorrentes em estudos sobre esporte e desenvolvimento social. Evidencia-se, ainda, o papel central dos educadores na sustentação de um ambiente seguro e formativo, no qual o erro é integrado ao processo de aprendizagem. A experiência analisada permite refletir sobre o potencial do skate como prática educativa e psicossocial em projetos sociais, ressaltando a importância do acompanhamento contínuo e da intencionalidade pedagógica.
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