Terapia musical e desenvolvimento infantil no Transtorno do Espectro Autista: Uma revisão sistemática
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50768Palavras-chave:
Transtorno do Espectro Autista, Musicoterapia, Musicalização, Desenvolvimento Infantil.Resumo
Objetivo: sintetizar os achados da literatura sobre os efeitos da musicalização e da musicoterapia no desenvolvimento de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Métodos: revisão sistemática com buscas nas bases de dados e biblioteca virtual: MEDLINE/PubMed, LILACS, SciELO e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), considerando estudos publicados entre 2000 e 2023, em português e inglês, utilizando os termos “autism”, “autism spectrum disorder”, “autismo", “development”, “music therapy”, “música”, “musicalização”, “musicoterapia”, “terapia musical”, “PRISMA” e “metanálise”. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 329 registros foram identificados (PubMed=96, LILACS=10, SciELO=204 e BDTD=19), 41 estudos em potencial após a etapa inicial de triagem e 26 estudos incluídos na revisão final. Resultados: os estudos incluídos apontaram benefícios da intervenção musical em múltiplos domínios, com destaque para desenvolvimento social e afetivo, comunicação verbal e não verbal, motricidade, foco atencional, criatividade e aspectos emocionais e cognitivos. Também foram descritas melhora de vínculo, redução de estereotipias, maior cooperação, atenção conjunta, imitação e autonomia funcional. Por outro lado, os resultados não foram uniformes; parte da literatura aponta limitações metodológicas, amostras pequenas, heterogeneidade das intervenções e tempo insuficiente de acompanhamento, havendo inclusive estudos sem superioridade clara quando a musicoterapia foi associada ao tratamento padrão. Conclusão: a musicalização mostra potencial como estratégia terapêutica complementar para crianças com TEA, especialmente nos eixos de socialização, comunicação e regulação emocional. Entretanto, a consolidação dessa evidência depende de estudos com metodologia mais detalhada e padronizada, a fim de definir a aplicabilidade clínica.
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