Pandemia de COVID-19 e continuidade do tratamento do HIV: Fatores associados ao abandono terapêutico na província de Maputo, Moçambique
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50811Palavras-chave:
COVID-19, HIV/AIDS, Tratamento antirretroviral, Abandono do tratamento, Moçambique.Resumo
A infecção pelo HIV/AIDS continua a representar um importante desafio de saúde pública, particularmente na África Subsaariana. Em Moçambique, a elevada prevalência da doença exige estratégias eficazes para garantir a continuidade do tratamento antirretroviral. Contudo, a pandemia de COVID-19 provocou perturbações significativas nos sistemas de saúde, afetando o acesso aos serviços e contribuindo para o abandono do tratamento por parte de muitos pacientes. O presente estudo teve como objetivo analisar os fatores associados ao abandono do tratamento do HIV durante a pandemia na Província de Maputo e discutir as suas principais implicações para a saúde pública.A metodologia baseou-se numa revisão narrativa da literatura científica e documental, incluindo relatórios nacionais e internacionais e artigos científicos publicados nos últimos dez anos. Foram analisadas evidências relacionadas com a adesão ao tratamento antirretroviral, os determinantes do abandono terapêutico e os impactos da pandemia nos serviços de HIV. Os resultados indicam que o abandono do tratamento esteve associado a múltiplos fatores, incluindo o medo de contágio nas unidades sanitárias, restrições de mobilidade, dificuldades de transporte, perda de rendimentos e insegurança alimentar. Adicionalmente, limitações estruturais do sistema de saúde, como longas filas e redução das actividades comunitárias de apoio, contribuíram para a interrupção do tratamento. Conclui-se que a pandemia de COVID-19 teve impacto significativo na continuidade do tratamento do HIV na Província de Maputo, evidenciando a necessidade de fortalecer estratégias de retenção em tratamento e de garantir a continuidade dos serviços essenciais mesmo em contextos de crise sanitária.
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