Repercussões da mobilidade urbana no desempenho e papéis ocupacionais de estudantes de Terapia Ocupacional na Região Metropolitana do Recife, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i3.50833Palavras-chave:
Terapia Ocupacional, Ocupação, Desempenho Ocupacional, Mobilidade Urbana, Estudante Universitário.Resumo
Introdução: A mobilidade urbana corresponde tanto ao deslocamento como às experiências das pessoas e coletivos no território. Retrata uso de transportes, acesso, posição social e direito à cidade e vincula-se à qualidade de vida e capacidade produtiva. No presente estudo, as participantes são universitárias de Terapia Ocupacional de instituição pública de uma capital do Nordeste. O curso tem horário integral, com atividades no campus universitário e outros espaços na Região Metropolitana. Objetivo: Compreender as repercussões da mobilidade urbana no desempenho ocupacional de estudantes. Método: Realizou-se um estudo exploratório, com abordagem quanti-qualitativa, análise descritiva e técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Resultados: Participaram 29 estudantes, do segundo ao oitavo período, com média de 22 anos, a maioria residente em cidades diferentes da sede do curso. A renda familiar é baixa e 1/3 recebe apoio de Bolsa Permanência. Entre os problemas identificados estão: tempo gasto, número de transportes utilizados, baixa qualidade das vias e engarrafamentos, que impactam negativamente as ocupações de estudo e autocuidado, com destaque para o sono/descanso, alimentação e higiene pessoal. O lazer também é uma ocupação negligenciada devido ao deslocamento ruim. Os problemas de mobilidade causam esgotamento físico e mental, influenciando a produtividade, vinculação das participantes às suas ocupações e papéis necessários/desejáveis. Conclusão: Os resultados sintonizam com a literatura, identificando a mobilidade como determinante social de saúde e ocupacional, e poderão contribuir para reorganização do curso quanto aos horários e campos de formação, acolhendo as estudantes com dificuldades de deslocamento e em demandas por melhorias na mobilidade urbana.
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