Descontinuidade do cuidado e descompensação clínica no diabetes insípido central congênito: Implicações para o manejo na Atenção Primária — relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50860Palavras-chave:
Diabetes Insípido , Atenção Primária à Saúde , Continuidade da Assistência ao Paciente.Resumo
Este estudo objetiva descrever o acompanhamento de um adulto jovem com diabetes insípido central congênito, com ênfase na relação entre descontinuidade do cuidado e descompensação clínica, bem como nas implicações para o manejo na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem qualitativa, no formato de relato de caso. O diabetes insípido central congênito é uma condição rara cuja estabilidade clínica depende da manutenção do seguimento ao longo do tempo, sendo sua interrupção associada à perda do equilíbrio hidroeletrolítico e à descompensação evitável. Relata-se o caso de homem de 28 anos, diagnosticado na infância por teste de privação hídrica com resposta à desmopressina, que interrompeu o acompanhamento aos 15 anos e passou a utilizar a medicação de forma irregular. Evoluiu com poliúria volumosa, noctúria persistente, fadiga e repercussão funcional progressiva, procurando a Atenção Primária por elevação pressórica sustentada. Na reavaliação, apresentava diurese de 12.800 mL/24 h, sódio sérico de 147 mEq/L e densidade urinária de 1.003, com função renal preservada. A reintrodução regular de desmopressina, associada ao tratamento anti-hipertensivo e à reorganização do cuidado, promoveu normalização clínica e laboratorial. O caso evidencia que, mesmo em condições raras, a continuidade do cuidado na APS é determinante para os desfechos clínicos.
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