Impactos da ausência paterna no processo de socialização infantíl: Um estudo empírico na Centralidade do Kilamba, Luanda
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50861Palavras-chave:
Ausência paterna, Socialização infantil, Família monoparental, Desenvolvimento psicossocial.Resumo
Este estudo visa identificar e analisar as principais dificuldades comportamentais e sociais vivenciadas pelas crianças em contexto de ausência paterna, bem como examinar a relação entre a ausência da figura paterna e o desempenho escolar. O estudo analisa os impactos da ausência paterna no processo de socialização infantil em contexto urbano angolano, com enfoque no bairro Cinco Fios da Centralidade do Kilamba, em Luanda. Partindo do pressuposto de que a família constitui o principal agente de socialização primária, a investigação enquadra-se nas transformações contemporâneas das estruturas familiares, particularmente no aumento das famílias monoparentais. Adotou-se uma abordagem quantitativa, de natureza descritiva e transversal, com aplicação de um questionário estruturado a uma amostra não probabilística de 20 participantes, sendo os dados analisados por meio de estatística descritiva com recurso ao SPSS. Os resultados evidenciam uma elevada prevalência de ausência paterna, associada a dificuldades comportamentais, fragilidades emocionais, baixo rendimento escolar e limitações no processo de socialização das crianças. Paralelamente, observam-se níveis elevados de sobrecarga emocional, económica e social nas mães em contexto de monoparentalidade. Os resultados corroboram a literatura internacional e sustentam-se nas perspetivas behaviorista, cognitiva e funcionalista, demonstrando que a ausência paterna compromete mecanismos essenciais de desenvolvimento psicossocial. Conclui-se que este fenómeno constitui um fator relevante de vulnerabilidade social, recomendando-se o reforço de políticas públicas de apoio à família e à parentalidade responsável.
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