Enxertos ósseos autógenos à base de matriz dentinária: Eficácia e aplicações clínicas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i5.50938Palavras-chave:
Regeneração óssea, Dentina, Fatores de crescimento.Resumo
A regeneração óssea é um dos principais desafios da reabilitação oral contemporânea, sendo o enxerto autógeno o padrão-ouro, apesar de limitações como morbidade no sítio doador. Nesse contexto, a matriz dentinária autógena (MDA) tem emergido como um biomaterial promissor devido à sua semelhança química e estrutural com o tecido ósseo. O presente trabalho teve como objetivo investigar, por meio de revisão integrativa da literatura, as possibilidades e limitações do uso de enxertos ósseos autógenos à base de matriz dentinária na odontologia. A metodologia envolveu buscas sistemáticas nas bases PubMed, Cochrane e BVS (2020-2025), resultando na análise de 17 artigos selecionados. Os resultados evidenciam que a dentina possui composição química e estrutural similar ao tecido ósseo, sendo composta por hidroxiapatita, colágeno tipo I e fatores de crescimento, como as proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs). Tais características conferem ao material propriedades osteocondutoras e osteoindutoras. O preparo clínico do material exige limpeza, trituração em partículas e desmineralização parcial, processo que pode ser automatizado por sistemas como o Tooth Transformer®. Clinicamente, a MDA demonstra eficácia em preservações alveolares, levantamentos de seio e regeneração óssea guiada, apresentando estabilidade volumétrica e qualidade de neoformação óssea comparável ou superior aos biomateriais xenógenos. Conclui-se que a matriz dentinária é uma alternativa viável, segura e bioativa, que minimiza a morbidade cirúrgica ao dispensar sítios doadores adicionais. As limitações residem na disponibilidade restrita a pacientes com dentes indicados para extração e na atual ausência de uma padronização universal para os protocolos de processamento e desmineralização.
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