Percepção dos praticantes da medicina tradicional e alternativa do povoado de Muchache-Massinga-Moçambique sobre os riscos do uso da Abrus precatorius no Tratamento de diversas Enfermidades
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i5.50957Palavras-chave:
Abrus precatorius, Medicina Tradicional, Perceção de Risco, Moçambique.Resumo
Contexto e Objetivo: Em Moçambique, cerca de 70% da população depende da medicina tradicional para cuidados primários de saúde. Abrus precatorius é amplamente utilizado por praticantes de Medicina Tradicional e Alternativa no tratamento de epilepsia e irregularidades menstruais, apesar de conter abrina, uma toxina altamente letal. Este estudo avaliou a perceção de risco associada ao seu uso medicinal em Muchache, distrito de Massinga, Mocambique. Metodologia: Realizou-se um estudo transversal com abordagem de métodos mistos, envolvendo 148 praticantes selecionados por amostragem por conveniência. Os dados quantitativos foram analisados com o IBM SPSS Statistics versão 25, utilizando estatística descritiva. Resultados: A idade média dos participantes foi de 49,6 anos, predominando indivíduos com ≥55 anos (72%), do sexo feminino (56%) e com baixa escolaridade (38% sem instrução formal). Observou-se elevada frequência de reações adversas, como obstipação (95,3%), desmaios (89,9%), náuseas (84,5%) e aborto espontâneo (45,3%). A transmissão do conhecimento ocorre principalmente por tradições familiares e crenças espirituais. Identificou-se uma cegueira terminológica, na qual os praticantes reconhecem os efeitos físicos da planta, mas desconhecem a natureza bioquímica da abrina. Conclusões: O uso de A. precatorius representa um risco significativo para a saúde pública, refletindo o conflito entre práticas tradicionais e segurança clínica. A validação espiritual contribui para a subvalorização dos efeitos tóxicos, frequentemente interpretados como sinais de eficácia terapêutica.
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