Aspectos imunogenéticos da esclerose múltipla
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i5.51028Palavras-chave:
Esclerose múltipla, Imunogenética, HLA-DRB1*1501, Linfócitos Th1, Linfócitos Th17, Autoimunidade.Resumo
A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune inflamatória crônica do sistema nervoso central, caracterizada por desmielinização e neurodegeneração progressiva, na qual fatores imunogenéticos exercem papel central na susceptibilidade e na evolução clínica. Destaca-se o alelo HLA-DRB1*1501, associado à ativação aberrante da resposta imune adaptativa. O presente estudo objetiva revisar criticamente os principais aspectos imunogenéticos da esclerose múltipla, com ênfase no papel do alelo HLA-DRB1*1501, nas vias imunológicas mediadas por células Th1 e Th17 e na interação entre fatores genéticos e ambientais. Trata-se de uma revisão sistematizada da literatura, conduzida conforme as recomendações do protocolo PRISMA 2020. A busca foi realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, abrangendo estudos publicados entre 2010 e 2025. Foram incluídos artigos originais, revisões sistemáticas e metanálises que abordassem imunogenética e resposta imune na EM. Os estudos analisados demonstram potencial associação entre o alelo HLA-DRB1*1501 e o aumento do risco para EM, além de evidenciar o papel central das células Th1 e Th17 e de citocinas pró-inflamatórias na quebra da tolerância imunológica, inflamação neuroglial e progressão da doença. Fatores ambientais e outras associações podem modular a expressão genética e a resposta imune. A EM resulta da interação complexa entre predisposição imunogenética e fatores ambientais, sendo o HLA-DRB1*1501 um dos principais possíveis determinantes de risco. A compreensão desses mecanismos é fundamental para o desenvolvimento de estratégias diagnósticas e terapêuticas personalizadas.
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