Avaliação comparativa dos extratos aquoso e etanólico de Erythrina mulungu: Composição química e atividades biológicas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50640Palavras-chave:
Erythrina mulungu, Extratos vegetais, Compostos bioativos.Resumo
Extratos vegetais são amplamente utilizados como fontes de compostos bioativos, especialmente fenóis, flavonoides e alcaloides, cuja extração depende diretamente do tipo de solvente empregado. O presente estudo teve como objetivo comparar os extratos aquoso e etanólico obtidos da casca de Erythrina mulungu, avaliando suas características químicas e funcionais por meio de análises de Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE), Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR), teor de fenólicos totais, atividade antimicrobiana e atividade antioxidante. O extrato aquoso apresentou menor diversidade química e baixa bioatividade, com teor fenólico de 7,64 mg GAE/g, halos antimicrobianos inferiores a 14 mm e 14,70% de inibição no ensaio de DPPH. Em contraste, o extrato etanólico exibiu composição mais complexa, com picos cromatográficos associados a alcaloides eritrínicos e fenóis lipofílicos, além de bandas adicionais no FTIR compatíveis com carbonilas, éteres e aminas. Esse extrato apresentou teor fenólico de 729,68 mg GAE/g, halos de 21,50 mm (E. coli) e 35,75 mm (S. aureus), além de elevada atividade antioxidante (92,82%). Os resultados demonstram que o etanol promove extração mais eficiente de metabólitos bioativos, enquanto o extrato aquoso apresenta composição mais restrita. Assim, a escolha do solvente influencia diretamente o perfil químico e o desempenho biológico dos extratos de Erythrina mulungu, reforçando a importância da seleção adequada do método de extração em estudos fitoquímicos.
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