Desafios e avanços na citologia ginecológica: Uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i2.50671Palavras-chave:
Câncer cervical, Desigualdade social, Citologia, Rastreamento.Resumo
O objetivo do estudo é analisar os principais desafios e avanços da citologia ginecológica no contexto do rastreamento e prevenção do câncer do colo do útero. A metodologia adotada foi uma revisão de literatura, com abordagem quantitativa e descritiva, a partir da análise de 16 estudos nacionais e internacionais publicados entre 2019 e 2025. As fontes foram obtidas nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os resultados demonstram que, apesar dos avanços técnicos — como a citologia líquida, o uso de biomarcadores e a automação — o exame de Papanicolau ainda não é acessado de forma equitativa pelas mulheres brasileiras. Fatores como baixa escolaridade, renda reduzida, ausência de campanhas educativas, fragilidade dos serviços de saúde e a descontinuidade do cuidado foram associados à menor adesão aos exames preventivos, especialmente em populações ribeirinhas, periféricas e de baixa renda. A vacinação contra o HPV, embora eficaz, ainda enfrenta baixa cobertura em regiões vulneráveis. Nesse contexto, as estratégias de prevenção devem ir além da dimensão técnica, incorporando ações territoriais, educativas e intersetoriais. Conclui-se que o sucesso do rastreamento do câncer cervical depende da superação das barreiras sociais e estruturais que ainda limitam a efetividade da citologia ginecológica no Brasil. Políticas públicas sensíveis à realidade das mulheres, acompanhadas de investimento em formação profissional, educação em saúde e fortalecimento da atenção primária, são fundamentais para transformar os avanços científicos em práticas de cuidado acessíveis e universais.
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