Procedimentos de higienização em residências, viabilidade de formação de biofilmes
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50711Palavras-chave:
Biofilme, Doenças transmitidas por alimentos, Vigilância sanitária.Resumo
Segundo os dados da SINAN (Sistema de informação de agravos e notificação) as porcentagens de surtos ocorridos no período de 2007 a 2016 no Brasil foram de 38.9% ocorreram em residências, 16.2% em restaurantes e 7.9% dos surtos ocorreram em creches e escolas. Sendo assim a maioria dos surtos ocorreram no período citado em residências devido, provavelmente ao desconhecimento sobre os requisitos básicos para manipulação adequada dos alimentos. Estudos revelam que a cada ano, pelo menos dois bilhões de pessoas no mundo contraem doenças de origem alimentar, e que 87% dos surtos alimentares são originados no ambiente residencial. Diante do exposto o objetivo deste trabalho foi levantar a viabilidade de formação de biofilmes em áreas de manipulação de alimentos em residências. O presente trabalho trata-se de uma pesquisa experimental, transversal onde foi realizada análise microbiológica de superfícies de residências e foi observado as condições de conservação e qualidade dos utensílios básicos de residências. Como resultados foi possível observar que existe o uso de utensílios de madeiras e uso de utensílios em ruins estados de conservação. Quanto aos parâmetros microbiológicos foi possível observar que a contagem de bactérias aeróbias mesófilas indicou má condição de higienização na maioria dos equipamentos analisados, possibilitando assim a formação de biofilmes. Conclui-se que existe uma carência de informações sobre higiene dos alimentos em residências, são desconhecidos os riscos dos utensílios de madeira ou em ruins estados de conservação, além da falta de aplicação do procedimento de higienização adequado.
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