Resiliência e Vulnerabilidade dos Programas de Terapia Antirretroviral durante a Pandemia de COVID-19 na África Austral: Uma revisão sistemática e síntese comparativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50868Palavras-chave:
HIV, Terapia Antirretroviral, COVID-19.Resumo
A África Austral apresenta a maior carga global de HIV, e a pandemia de COVID-19 representou uma ameaça sem precedentes aos sistemas de prestação de terapia antirretroviral (TAR). Este estudo teve como objectivo sintetizar comparativamente evidências sobre a interrupção da TAR, os determinantes do abandono do tratamento e as consequências epidemiológicas na África Austral durante a pandemia. Foi realizada uma revisão sistemática seguindo as directrizes PRISMA. Bases de dados, incluindo PubMed, Scopus, Web of Science e fontes de literatura cinzenta, foram pesquisadas para estudos publicados entre Janeiro de 2020 e Dezembro de 2025. Foram incluídos estudos que reportaram adesão à TAR, retenção ou interrupção de serviços em países da África Austral. Os dados foram extraídos e sintetizados utilizando um quadro comparativo estruturado. Evidências provenientes de Moçambique, África do Sul, Malawi e estudos de modelação multinacionais revelaram que os sistemas de prestação de TAR foram relativamente resilientes, enquanto os serviços de diagnóstico e apoio foram substancialmente interrompidos. Os principais determinantes da interrupção do tratamento incluíram restrições de mobilidade, barreiras de transporte, medo de infecção por COVID-19 e suspensão de serviços comunitários. Modelos matemáticos previram que uma interrupção de 6 meses na TAR em 50% dos pacientes poderia aumentar a mortalidade relacionada ao HIV em 1,63 vezes, correspondendo a aproximadamente 296.000 mortes adicionais na África Subsaariana. Apesar das interrupções, vários contextos mantiveram a supressão viral através de estratégias adaptativas, como a dispensa multimensal. A pandemia de COVID-19 expôs vulnerabilidades estruturais críticas nos sistemas de cuidados de HIV, particularmente na prestação de serviços comunitários e no acesso dos pacientes. Garantir o fornecimento ininterrupto de TAR e reforçar modelos descentralizados de prestação de serviços são essenciais para mitigar futuros choques nos sistemas de saúde.
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