Tamoxifeno inibe o canal aniônico induzido por α-hemolisina de Staphylococcus aureus: análise eletrofisiológica e de docking
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v10i2.12326Palavras-chave:
Tamoxifeno; Staphylococcus aureus; Canal iônico; Fatores de virulências; Agente anti-bacteriano.Resumo
Investigar os efeitos do tamoxifeno sobre o canal de α-hemolisina obtido de Staphylococcus aureus (α-HL) em bicamadas lipídicas planas com caracterização eletrofisiológica e estudos de docking. As membranas planares foram preparadas e α-HL (0,07 mg/mL) foi adicionada à solução padrão no compartimento cis da câmara experimental. Todos os experimentos foram realizados em temperatura ambiente usando um amplificador Axopatch 200A no modo “voltage clamp”. Em pH 7,5, os canais α-HL estavam geralmente em alta condutância ~ 4 nS e raramente mudam para estados de baixa condutância. Depois que o canal iônico foi incorporado na membrana, o tamoxifeno também foi adicionado à solução padrão no compartimento cis. Para estudos de docking, as coordenadas atômicas do canal heptamérico α-HL foram obtidas do PDB ID (7AHL) e a estrutura do tamoxifeno do Pubchem, suas coordenadas foram construídas e minimizadas com o programa Avogadro. Os experimentos de docking molecular foram realizados usando o portal online Dockthor. O tamoxifeno inibiu (P < 0,05) a condutância do canal α-HL de maneira de dependente de voltagem. Foram avaliadas as três melhores soluções de docking com o canal, observou-se que o modo de conexão com maior afinidade possui um maior número de tipos de ligações polares. Os resíduos que apresentam interações de maior energia foram o 111 e o 147, que formam os resíduos da constrição do canal α-HL. As outras conformações foram acomodadas em uma região com características mais hidrofóbicas (valina 149). O mecanismo pelo qual o tamoxifeno inibiu o canal α-hemolisina de Staphylococcus aureus foi por bloqueio da constrição deste canal.
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