Manejo e prognóstico da gastrosquise em uma maternidade pública no estado de Sergipe

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33448/rsd-v11i16.38455

Palavras-chave:

Gastrosquise; Anomalias congênitas; Pré-natal; Prognóstico.

Resumo

A gastrosquise é a anomalia congênita mais comum da parede abdominal, definida como um defeito do seu fechamento, resultando em evisceração de estruturas intra-abdominais. Aparece, frequentemente, isolada, sem associação a outras anomalias. Em diferentes regiões do Brasil e do mundo, tem ocorrido um aumento de incidência dessa patologia - atualmente entre 2 a 5 por 10.000 nascidos vivos - configurando-se um problema de saúde pública a ser equacionado. O presente estudo objetivou analisar o perfil dos nascimentos e óbitos por gastrosquise, identificar as causas de mortalidade intra-hospitalares e as ocorrências de complicações pós-operatórias de RN com gastrosquise, em uma maternidade pública no estado de Sergipe. Trata-se de um estudo prospectivo observacional de coorte, alinhado ao estudo multicêntrico ‘PAEDSURG’ em que todos os hospitais brasileiros seriam elegíveis para participar. Os dados foram coletados entre 15/11/2021 e 15/11/2022, de todos os casos consecutivamente elegíveis, sob a supervisão da cirurgiã pediátrica coordenadora local da pesquisa, Drª Marcia Montalvão. Foram descritos 5 casos de RN com gastrosquise, todos nascido por cesárea, a prematuridade foi vista em 4 casos (mediana de IG 35 semanas), sendo o peso baixo ao nascimento observado em 75% dos casos (mediana de 2180g). Todas as mães eram primigestas, todas fizeram pré-natal e realizaram exame ultrassonográfico, evidenciando gastrosquise em 4 RN, 3 mães tinham baixa idade materna (mediana de 18 anos), nenhuma com nível superior. A taxa de mortalidade foi baixa (dos 5 RN, apenas 1 veio a óbito) e fatores socioeconômicos se mostraram associados à ocorrência de gastrosquise.

Biografia do Autor

Fernanda Lodysllen Costa Silva, Universidade Federal de Sergipe

Acadêmica do 12º período de Medicina pela Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

Técnica em enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, Aracaju-SE, Brasil.

Instrumentadora cirúrgica do Hospital Regional de Propriá-SE, Brasil.

Márcia Virgínia Pereira Montalvão , Universidade Federal de Sergipe

Cirurgiã Pediátrica da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, Aracaju-SE, Brasil.

Mestranda da Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

Simone Maria de Oliveira, Universidade Federal de Sergipe

Cirurgiã Pediátrica da Materniadade Nossa Senhora de Lourdes, do Hospital Santa Isabel e do Hospital Universitário-UFS localizados em Aracaju-SE, Brasil.

Professora da Universidade Federal de Sergipe, Brasil.

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Publicado

15/12/2022

Como Citar

SILVA, F. L. C. .; MONTALVÃO , M. V. P. .; OLIVEIRA, S. M. de . Manejo e prognóstico da gastrosquise em uma maternidade pública no estado de Sergipe. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 16, p. e460111638455, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i16.38455. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/38455. Acesso em: 2 abr. 2025.

Edição

Seção

Ciências da Saúde