A concepção produtivista da educação: A trajetória de estudantes universitários
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v10i5.14548Palavras-chave:
Educação; Precarização; Políticas; Ensino; Evasão universitária.Resumo
A Constituição Federal de 1988 prevê que o primado do trabalho é a base da ordem social e que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Importa neste artigo descrever a forma pela qual o Estado brasileiro falha quando não observa que garantir o acesso a educação pública federal de nível superior também é assegurar a permanência do estudante no processo de aprendizado até sua conclusão. Assim, foi aplicada pesquisa exploratória, com metodologia de abordagem hipotético-dedutiva e método de procedimento bibliográfico, concomitante com estudo de campo. Os resultados mostram que há relação entre as políticas de educação no Brasil e o fenômeno da precarização do trabalho e da evasão universitária. Conclui-se que a concepção produtivista da educação no Brasil reforça os problemas que envolvem a permanência dos estudantes na educação pública federal de nível superior. Em pesquisa de campo, na qual foram entrevistados 4 (quatro) estudantes da Universidade Federal do Pará - UFPA, os dados são uníssonos no sentido de que estudantes que possuem renda familiar baixa, pois no seio de suas famílias a renda advém do trabalho precarizado, encaram com incerteza sua permanência no curso universitário devido aos custos de deslocamento, alimentação e material didático, situação que os compele a também praticar formas de trabalho precárias, como a venda de produtos, para que possam se manter no processo de aprendizado.
Referências
Azevedo. J. E. (Org.). Camacho. A. R. [et al.]. (2017). Introdução às ciências sociais. São Paulo: Évora.
Brasil. Lei n.º 5.692/71, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 6377, 12 ago. 1971.
Brasil. Lei n.º 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 134, n. 248, p. 1, 23 dez. 1996.
Chaves, A. B. P. (2020). Da Planta taylorista/fordista ao capitalismo de plataforma: as engrenagens da exploração do trabalho. Research, Society and Development. v. 9, n. 6 e01963473.
Chaves, A. B. P. Almeida, L. J. S. (2020). A política do retrocesso: educação e desigualdades no Brasil. Research, Society and Development. v. 9, n. 8 e548985957.
Durkheim, E. (2007). As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes.
Faria, R. (2019). Investimento estrangeiro explode no país, mas não gera emprego. Disponível em: <https://osnovosinconfidentes.com.br/investimento-estrangeiro-explode-no-pais-mas-nao-gera-emprego/>. Acesso em: 21/12/2019.
Friedman, M. (2017). Capitalismo e liberdade. Tradução Afonso Celso da Cunha Serra. 1 ed. Rio de Janeiro: LTC.
Geromel, R. (2019). O poder da China: o que você deveria saber sobre o país que mais cresce em bilionários e unicórnios. São Paulo: Editora Gente.
Giovanni, G., & Nogueira, M. A. (org.) (2018). Dicionário de políticas públicas (3a ed.). São Paulo: Editora UNESP.
Gonçalves, M. G. M. (2010). Psicologia, subjetividade e políticas públicas. 1a ed. São Paulo: Cortez.
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas – INEP. (2018). Plano Nacional de Educação – PNE. Disponível em: <http://simec.mec.gov.br/pde/grafico_pne.php>. Acesso em: 26/12/2019.
Malan, P. (2018). Uma certa ideia de Brasil. 1a ed. Rio de Janeiro: Intrínseca.
Pinsky, C. B. & J. (orgs). (2018). História da Cidadania. 6. ed. São Paulo: Contexto.
Prestes, E. M. T. & Fialho, M. G. D. (2018). Evasão na educação superior e gestão institucional: o caso da Universidade Federal da Paraíba. Rio de Janeiro. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0104-40362018002601104>. Acesso em: 26/12/2019.
Santos, M. (2005). Da Totalidade ao Lugar. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.
Santos, M. (2002). O País distorcido: o Brasil, a globalização e a cidadania. São Paulo: Publifolha.
Saramago, J. (2013). Democracia e universidade. Belém: ed.ufpa; Lisboa: Fundação José Saramago.
Saviani, D. (2006). Política e educação no Brasil: o papel do Congresso Nacional na legislação do ensino. 6 ed. Campinas, SP: Autores Associados.
Sennett, R. (2005). A corrosão do caráter – conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record.
Sousa, J. F. (2020). Direito à educação no Brasil. Amazon: 2020.
Sposati, A. Assistencialismo. In: DI GIOVANNI, G. & NOGUEIRA, M. A. (orgs.). (2018). Dicionário de políticas públicas. 3. ed. São Paulo: Editora UNESP.
V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos (as) Graduandos (as) das IFES – 2018. Brasília, 2019. Disponível em: <http://www.andifes.org.br/wp-content/uploads/2019/05/V-Pesquisa-Nacional-de-Perfil-Socioecon%C3%B4mico-e-Cultural-dos-as-Graduandos-as-das-IFES-2018.pdf>. Acesso em: 21/12/2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2021 Paula Pamplona Beltrão da Silva; Andréa Bittencourt Pires Chaves

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.