Tecnologia da informação para redução do uso irracional de inibidores da Bomba de Prótons – Revisão narrativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v12i2.39815Palavras-chave:
Inibidores da bomba de prótons; Educação médica; Gastroenterologia; Internato e residência.Resumo
Introdução: Os inibidores da bomba de prótons (IBPs) foram clinicamente introduzidos em 1989 e mostraram-se eficazes para o tratamento de ampla gama de patologias atribuíveis ao ácido gástrico. Com o tempo tornaram-se vítimas do seu próprio sucesso, sendo prescritas em excesso, em altas doses e períodos maiores que o indicado. Por outro lado, a tecnologia da informação (TI) passou a ser utilizada para auxiliar o processo de aprendizagem, desempenhando um papel cada vez mais importante na educação médica. Objetivo: Sendo a TI um método de uso tão versátil dentro do campo da medicina e educação em saúde, seria esse recurso capaz de reduzir, através de informação e educação de médicos e pacientes, o uso indiscriminado dos IBPs? Método: Realizamos uma revisão narrativa, usando MEDLINE, Bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, SCOPUS e Google acadêmico para extrair artigos. Pesquisamos a literatura dos últimos 10 anos, sendo termos DeCS/MeSH usados na busca “proton pump inhibitor”, “medical education”, “ gastroenterology” e “internato e residência”, além de termos como “prescription”, “ulcer”, “free open acces medical education”, “FOAM”, FOAMed”, “information technology”, “medical apps”, “aplicativos”, “inibidores da bomba de prótons”. Resultado: Após pesquisa realizada, foram encontrados artigos com diferentes ferramentas educacionais, mas apenas dois (PINCER e FORTA-EPI) utilizaram TI para prescrição mais racional de medicações. Conclusão: Observou-se escassez de publicações relacionando tecnologia da informação e gastroenterologia, bem como uso de inibidores da bomba de prótons, indicando a necessidade de estudos que de fato comprovam que haveria redução de prescrições sem indicação dos IBPS e validação de aplicativos para esse fim. Diante do apresentado, pôde-se concluir que intervenções de feedback e orientações educacionais têm uma possibilidade de orientar de forma positiva a conduta médica na prática clínica. Dessa forma, propomos o desenvolvimento de aplicativo para facilitar essa difícil área de intervenção.
Referências
Ahmed, I., Ahmad, N. S., Ali, S., Ali, S., George, A., Danish, H. S., . . . King, D. (2018). Medication adherence apps: review and content analysis. JMIR mHealth and uHealth, 6(3), e6432.
Alencar, J. B. d., Araújo, R. L., Barroso, E. M. d., Silva, P. G. d. B., Garrido, R. J., Rocha, P. H. M. d., & Rocha, E. P. C. (2020). Development and Validation of a Smartphone Application for Orthopedic Residency Education. Revista Brasileira de Educação Médica, 44.
Avery, A. J., Rodgers, S., Cantrill, J. A., Armstrong, S., Cresswell, K., Eden, M., . . . Sheikh, A. (2012). A pharmacist-led information technology intervention for medication errors (PINCER): a multicentre, cluster randomised, controlled trial and cost-effectiveness analysis. Lancet, 379(9823), 1310-1319. https://doi.org/10.1016/s0140-6736(11)61817-5
Boster, J., Lowry, L. E., Bezzant, M. L., Kuiper, B., & Surry, L. (2020). Reducing the inappropriate use of proton pump inhibitors in an internal medicine residency clinic. Cureus, 12(1).
de Paula Pessoa, F. S. R., Leite, A. B., Maia, M. M., & Nunes, J. F. (2021). TRAT-C 2019: ESQUEMAS DE TRATAMENTO DA HEPATITE C NA PALMA DA MÃO. Cadernos ESP-Revista Científica da Escola de Saúde Pública do Ceará, 15(1), 44-48.
Gordon, W. J., Landman, A., Zhang, H., & Bates, D. W. (2020). Beyond validation: getting health apps into clinical practice. NPJ Digit Med, 3, 14. https://doi.org/10.1038/s41746-019-0212-z
Kuemmerle, J. F. (2012). Effective use of technology in gastroenterology training. Gastroenterology, 143(4), 881-884. https://doi.org/10.1053/j.gastro.2012.08.013
Lazaridis, L.-D., Rizos, E., Bounou, L., Theodorou-Kanakari, A., Kalousios, S., Mavroeidi, E.-A., . . . Miltiadou, K. (2021). An educational intervention to optimize use of proton pump inhibitors in a Greek university hospital. Annals of Gastroenterology, 34(6), 781.
Machado Júnior, P. A. B., Ziliotto, R. D., Ferreira, A. P. V. N., Buson, T. M., Couto, C. M. d., & Pissaia Junior, A. (2020). Uso do Stroop EncephalApp para o screening de encefalopatia hepática mínima em pacientes cirróticos no sul do Brasil. Arquivos de Gastroenterologia, 57, 399-403.
Madanick, R. D. (2015). Education Becomes Social: The Intersection of Social Media and Medical Education. Gastroenterology, 149(4), 844-847. https://doi.org/10.1053/j.gastro.2015.08.037
Ni, X., Lin, M., Li, J., Zeng, L., Li, W., Huang, L., . . . Zhang, L. (2021). Development of an evaluation indicator system for the rational use of proton pump inhibitors in pediatric intensive care units: An application of Delphi method. Medicine (Baltimore), 100(24), e26327. https://doi.org/10.1097/md.0000000000026327
Nilsson, G., Hjemdahl, P., Hässler, A., Vitols, S., Wallén, N. H., & Krakau, I. (2001). Feedback on prescribing rate combined with problem-oriented pharmacotherapy education as a model to improve prescribing behaviour among general practitioners. Eur J Clin Pharmacol, 56(11), 843-848. https://doi.org/10.1007/s002280000242
O'Connor, J. B., & Johanson, J. F. (2000). Use of the Web for medical information by a gastroenterology clinic population. Jama, 284(15), 1962-1964.
Rabenberg, A., Schulte, T., Hildebrandt, H., & Wehling, M. (2019). The FORTA (Fit fOR The Aged)-EPI (Epidemiological) Algorithm: Application of an Information Technology Tool for the Epidemiological Assessment of Drug Treatment in Older People. Drugs Aging, 36(10), 969-978. https://doi.org/10.1007/s40266-019-00703-7
Reeve, E. (2020). Deprescribing tools: a review of the types of tools available to aid deprescribing in clinical practice. Journal of Pharmacy Practice and Research, 50(1), 98-107.
Scarpignato, C., Gatta, L., Zullo, A., Blandizzi, C., Group, S.-A.-F., & Italian Society of Pharmacology, t. I. A. o. H. G. a. t. I. F. o. G. P. (2016). Effective and safe proton pump inhibitor therapy in acid-related diseases - A position paper addressing benefits and potential harms of acid suppression. In BMC Med (Vol. 14, pp. 179). https://doi.org/10.1186/s12916-016-0718-z
Schnoll-Sussman, F., Niec, R., & Katz, P. O. (2020). Proton Pump Inhibitors: The Good, Bad, and Ugly. Gastrointest Endosc Clin N Am, 30(2), 239-251. https://doi.org/10.1016/j.giec.2019.12.005
Shroff, H., Aby, E., Patel, P., Winters, A. C., Vogel, A. S., & Mikolajczyk, A. (2021). LIVER FELLOW NETWORK: A SURVEY OF THE IMPACT OF A NOVEL ONLINE MEDICAL EDUCATION TOOL. Gastroenterology, S-399-S-400.
Strand, D. S., Kim, D., & Peura, D. A. (2017). 25 Years of Proton Pump Inhibitors: A Comprehensive Review. Gut Liver, 11(1), 27-37. https://doi.org/10.5009/gnl15502
Targownik, L. E., Fisher, D. A., & Saini, S. D. (2022). AGA clinical practice update on De-prescribing of proton pump inhibitors: expert review. Gastroenterology.
Wu, J., Dickinson, S., Elgebaly, Z., Blogg, S., Heaney, A., Soo, Y., . . . Weekes, L. (2020). Impact of NPS MedicineWise general practitioner education programs and Choosing Wisely Australia recommendations on prescribing of proton pump inhibitors in Australia. BMC family practice, 21(1), 1-8.
Yadlapati, R., & Kahrilas, P. J. (2017). When is proton pump inhibitor use appropriate? In BMC Med (Vol. 15, pp. 36). https://doi.org/10.1186/s12916-017-0804-x
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Rafaelle Marques Cavalcante; Kristopherson Lustosa Augusto; Marcos Kubrusly
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.